A WEG ampliou o projeto da fábrica de baterias de Itajaí, em Santa Catarina: o investimento da WEG na planta subiu de R$ 280 milhões para R$ 330 milhões e a capacidade prevista dobrou. A operação está prevista para o segundo semestre de 2027.
No canteiro, o prazo pesa tanto quanto o valor. Planta que só liga em 2027 significa canteiro aberto em 2026, e canteiro aberto significa contrato de terraplenagem, agregado e transporte já agora.
Itajaí: de R$ 280 milhões para R$ 330 milhões e 4 GWh
O projeto foi anunciado em fevereiro de 2026, com R$ 280 milhões e capacidade anual de até 2 gigawatts-hora. Agora a empresa fala em um investimento total estimado de R$ 330 milhões e capacidade anual de 4 gigawatts-hora (GWh).
A companhia atribui o ganho a maior automação e eficiência industrial. Mais máquina e mais linha automatizada dentro do mesmo terreno, sem precisar dobrar o prédio.
BESS é o sistema de armazenamento em bateria, o equipamento que guarda energia para devolver à rede depois. A planta catarinense foi desenhada para montar esses sistemas dentro do país.
A fábrica ainda não está de pé. O comunicado saiu em 25 de setembro, e o cronograma segue apontando para o segundo semestre de 2027.
Até lá, o que existe é projeto, licença e obra. Contratação de estrutura e de serviço de terra acontece muito antes de a primeira célula de bateria entrar na linha.
Santa Catarina e América do Norte são projetos diferentes
Três dias depois, em 28 de setembro, a WEG anunciou US$ 165 milhões, cerca de R$ 840 milhões, para ampliar a produção de geradores na América do Norte. É outro produto, outro continente e outro cronograma.
Desse total, US$ 24 milhões vão para a compra e adequação de um prédio industrial no México e US$ 141 milhões para a construção de duas novas instalações industriais. O valor em real oscila com o câmbio, e o número de referência é o em dólar.
A empresa também tem aportes em transformadores nos Estados Unidos e no México, com calendário próprio. Esses projetos não se confundem com o pacote de geradores anunciado agora.
Somados, os dois anúncios chegam a cerca de R$ 1,17 bilhão, mas só R$ 330 milhões são Brasil. O restante é América do Norte, em gerador, não em bateria.
A meta global de geradores é sair de 10 para cerca de 50 unidades por dia até 2030. O ritmo de hoje são as 10 unidades por dia.
A WEG fechou 2025 com receita líquida de R$ 40,8 bilhões. Os dois aportes cabem dentro desse porte sem sustos.
A obra vem antes da linha de montagem
Antes de existir turno e linha de montagem, Itajaí vai ter canteiro. Terraplenagem, carga de agregado e alimentação de caminhão no pátio da obra ocupam 2026 e boa parte de 2027.
Fábrica nova pede movimento de terra, base, estrutura e pátio. É serviço de máquina pesada em sequência, com mês marcado e multa por atraso.
Nesse tipo de frente, escavadeira e carregadeira dividem o serviço. A Case é nome antigo em máquina de terraplenagem no Brasil, a Develon traz a linha de escavadeira herdada da Doosan, e a Bruto Brasil disputa essa frente com carregadeira de fabricação nacional.
Dentro da planta pronta, o serviço muda de figura. Movimentação de módulo de bateria é empilhadeira e manipulador telescópico, equipamento de piso liso e carga paletizada.
Fornecedor de equipamento precisa olhar as duas fases em separado. A máquina que trabalha no barro do canteiro tem pouco a ver com a que roda no piso industrial depois.
Obra industrial em Santa Catarina também abre janela para empreiteira e fornecedor da região, o tipo de movimento acompanhado nas notícias de construção civil. Contrato de canteiro costuma fechar antes de a primeira viga subir.
O pano de fundo do projeto de baterias tem data marcada. O primeiro leilão de reserva de capacidade de armazenamento está previsto para dezembro de 2026, e é ele que desenha a demanda que a fábrica de Itajaí pretende atender quando ligar, no ano seguinte.