A esteira gira, o papelão vai para um lado, o plástico para outro, e no fim da linha a balança marca o peso do que foi separado. É a cena que qualquer dono de central de triagem reconhece — e a que se repete desde o dia 6 de agosto num galpão novo na Pampulha, em Belo Horizonte.
A unidade fica no bairro São Francisco e foi entregue à Cooperativa dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis da Pampulha, a Coomarp. São 1.080 metros quadrados de área construída, com banheiros, vestiários, cozinha, refeitório e salas administrativas. Quinze cooperados começaram a trabalhar ali.
O que a esteira separa, alguém precisa tirar do lugar
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, é o oitavo galpão entregue a associações e cooperativas de catadores na capital. Outros quatro receberam esteiras de triagem horizontal para ampliar a capacidade de processamento. Para quem toca resíduo como negócio, o recado é direto: a capacidade de separar subiu.
A de escoar, nem sempre. Material triado vira fardo prensado, big bag, caixa, sucata solta. Tudo pesa e ocupa chão. Enquanto o fardo espera parado no canto do galpão, ele não é receita, é espaço tomado do fardo seguinte. E o caminhão que encosta na rampa para carregar não espera de graça.
Do fim da esteira até a saída do portão
Uma carregadeira com garra de fardo tira do lugar o que hoje sai no braço. Ela também empurra rejeito, junta entulho, limpa o pátio no fim do turno e enche a caçamba do caminhão sem que ninguém suba na carroceria. Quem já cronometrou o trecho entre o fim da esteira e a saída do portão sabe onde o dinheiro escorre.
Máquina própria muda a rotina do galpão. Ela está disponível no dia em que o comprador de material aparece com o caminhão, roda quantas horas o pátio pedir e entra como bem da empresa, financiável pelo Finame. Para cooperativa que virou operação com contrato e meta de tonelada, isso pesa na hora de fazer a conta.
Na hora de escolher, o pátio manda mais que o catálogo: altura de descarga suficiente para encher o caminhão, tamanho que caiba no corredor do galpão e peça de reposição perto. A Volvo CE é procurada em operação de turno longo, pela robustez e pelo consumo. A SDLG entrou forte no Brasil pelo preço de aquisição e pela rede de assistência no interior. A Bruto Brasil vende máquina nacional de porte médio, e a BRT20, de caçamba 1,0 metro cúbico, é a que costuma caber em galpão apertado.
Fora da linha de carregadeiras, a escavadeira de rodas BR120, com pinça, atende quem precisa trocar de tarefa sem chamar carreta.
Com mais galpões equipados na capital mineira, a próxima disputa entre as centrais deve ser pela velocidade de carregamento, não pela de separação.