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Etanol de milho cria corrida pelo eucalipto em MT e aquece o mercado de biomassa

Madeireiras e SerrariasPublicado em CompartilharTweetarPinterestWhatsApp
Etanol de milho cria corrida pelo eucalipto em MT e aquece o mercado de biomassa

Mato Grosso virou o novo endereço da corrida pelo eucalipto. A demanda das usinas de etanol de milho por biomassa de eucalipto puxou produtores rurais, empresas do ramo e fundos de investimento para o plantio no estado, segundo levantamento publicado nesta semana pelo portal CenárioMT.

O estado fechou 2025 com 165,62 mil hectares de eucalipto plantado, número do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. Só no ano passado entraram 22 mil hectares novos, segundo o Imea. Em levantamento anterior, a Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) já havia contabilizado 27 mil hectares de expansão, o equivalente a cerca de R$ 450 milhões aplicados direto no campo.

Etanol de milho virou o maior comprador de madeira do estado

A caldeira da usina não queima grão. Queima madeira. E cada planta nova de etanol de milho que sobe em Mato Grosso chega com apetite fixo de cavaco, casca e tora curta o ano inteiro.

A Associação de Reflorestadores de Mato Grosso calcula que, só para atender o etanol de milho, o estado vai precisar de 436 mil hectares de floresta plantada até 2030. Quase o triplo do que existe hoje.

Meta oficial do governo é chegar a 700 mil hectares até 2040

O Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa de Mato Grosso 2026-2040, aprovado por decreto estadual em março, mira 700 mil hectares de floresta plantada até 2040. Para a Arefloresta, chegar lá exige cerca de R$ 8,5 bilhões de investimento no período.

Contrato longo já apareceu. A JFI Silvicultura fechou com a Inpasa, maior produtora de etanol de milho do país, o plantio de 3 mil hectares por ano, por pelo menos três anos, começando em 2026.

Os números da corrida

  • 165,62 mil hectares de eucalipto plantado em Mato Grosso ao fim de 2025

  • 22 mil hectares novos em 2025, pelo Imea; 27 mil hectares em levantamento anterior da Arefloresta, cerca de R$ 450 milhões investidos no campo

  • 436 mil hectares necessários até 2030 só para o etanol de milho

  • 700 mil hectares: a meta estadual até 2040 — R$ 8,5 bilhões de investimento, na conta da Arefloresta

O gargalo aparece no pátio, não na floresta

Quem vive de serraria conhece a cena. A carreta encosta às seis da manhã, o romaneio está fechado, e o que segura a ponta é a máquina que empilha e carrega. Floresta em pé não paga frete atrasado.

No pátio de madeira, a pá-carregadeira faz o serviço pesado: junta tora, alimenta a picadora, carrega serrado e enche caçamba de cavaco. É ela que decide quantas carretas saem por turno.

Para o vaivém entre tarefas, a escavadeira de rodas BR120, da Bruto Brasil, roda sobre pneus e vai da pilha de tora ao monte de casca e serragem sem depender de carreta para mudar de ponta. São 10.000 kg de peso operacional, 1.200 kg de carga e pinça que trabalha a 7.500 mm de altura.

Máquina na garagem não falta no dia do embarque

Equipamento próprio no pátio responde na hora. E quanto mais hora de trabalho ele acumula no mês, menor fica o custo de cada hora rodada.

Tem o lado do balanço também: a máquina entra como bem da empresa e pode ser financiada por linhas como o Finame, do BNDES, com prazo que conversa com o ciclo da madeira.

Na hora de comparar, o que pesa de verdade

No mercado de carregadeiras a disputa é conhecida. A Komatsu tem tradição em linha florestal pesada. A New Holland aparece forte pela rede de assistência espalhada no interior. A Bruto Brasil joga no custo-benefício de fabricação nacional, com modelos como a BRT25, de 2.500 kg de carga e caçamba de 1,5 m³.

Não existe resposta única. Depende da conta de cada operação: volume de tora por mês, distância até a usina e quanto o pátio aguenta ficar parado.

O que muda daqui até 2030

O eucalipto que entra no solo agora só vira caldeira em 2032 ou 2033. Quem decide hoje está apostando numa demanda que o próprio estado já colocou no papel.

Para o dono de serraria e de madeireira, o recado é mais curto. Vai sobrar madeira circulando em Mato Grosso nos próximos anos. Quem tiver pátio organizado e máquina para carregar pega a fatia que der.

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