As importações já respondem por 47,4% das máquinas adquiridas no país, segundo o balanço de julho divulgado pela Abimaq em 1º de setembro. Na prática, quase metade do que o empresário brasileiro coloca na frota hoje é equipamento importado.
E o mercado brasileiro encolheu no mês. O consumo aparente, que soma a fabricação nacional vendida dentro do país e o equipamento importado, caiu 5,3%, para R$ 34,6 bilhões.
Medido em dólar, o importado subiu: US$ 2,95 bilhões em julho, alta de 2,1% sobre um ano antes. Em real, dentro do consumo aparente, ele ficou em R$ 16 bilhões, 5,4% abaixo de julho de 2025.
A indústria brasileira do setor fechou o mês com receita líquida de R$ 24,4 bilhões, queda de 8,9% ante julho de 2025. Do total, R$ 18,7 bilhões saíram do mercado interno, 5,3% menos que um ano antes.
Para o empresário que monta ou renova frota, 47,4% muda o que se pergunta na hora de fechar. A peça de reposição deixa de ser detalhe de contrato e vira critério de compra.
A China já responde por mais de um terço do que o setor importa
Desde janeiro de 2026, a China responde por 36,2% de tudo o que o setor importou, segundo a Abimaq. A cada três máquinas estrangeiras que desembarcam no país, mais de uma sai de fábrica chinesa.
O presidente executivo da Abimaq, José Velloso, afirma que o preço praticado pelo concorrente chinês está abaixo do que o fabricante brasileiro consegue oferecer. “Temos vários exemplos de produtos que estão sendo vendidos no nosso mercado a preços que não pagam a matéria-prima do produto brasileiro”, disse.
Velloso também aponta o juro alto como freio do investimento em máquina. O comprador sente o outro lado disso na proposta que chega à mesa, com nacional e importado disputando o mesmo pedido.
Origem concentrada tem efeito prático no pós-venda. Quanto mais longe fica a fábrica do componente, mais longo é o trajeto da peça até a frente de serviço, e essa é uma pergunta para fazer antes de assinar.
A origem da máquina decide o que vai custar depois da compra
O preço salta primeiro. Com o mercado em queda e capacidade ociosa na indústria, quem senta para negociar chega em posição melhor do que há um ano.
Só que a etiqueta menor não fecha o negócio sozinha. Desconto na compra vira prejuízo se o componente de reposição levar semanas para chegar, e essa parte não está escrita na proposta.
A revenda cobra caro de quem não olhou. Máquina de marca com pouca circulação no mercado de usados derrete mais na hora da troca, e esse desconto entra na conta lá na frente.
As locadoras já vinham em ciclo de compra, com R$ 52,9 bilhões projetados para a locação em 2026 pelo estudo da KPMG para a Analoc, puxando renovação de frota. A diferença agora está em qual origem de máquina entra nessa fila.
E tem a peça de reposição. Carregadeira esperando componente que vem de fora custa dia de operação, e o prazo de entrega dessa peça muda bastante conforme a marca e de onde ela sai.
Cada marca defende um ponto diferente na hora da compra
A XCMG chega pela escala de produção, que aparece na etiqueta de entrada que ela consegue praticar aqui. É fabricante chinesa, e a China responde por 36,2% do que o setor importou no ano.
A Bruto Brasil monta a linha no Brasil, e o efeito prático disso está no prazo de reposição: componente que sai de estoque nacional não depende de despacho aduaneiro nem de fila de porto. A BRT25, a mais procurada no agro, carrega 2.500 kg, tem caçamba de 1,5 m³ e motor Deutz Weichai de 6 cilindros e 125 HP.
A SDLG pertence ao grupo Volvo e ocupa a faixa de entrada dele. Isso coloca uma máquina de preço competitivo dentro de uma estrutura de distribuição que já estava montada no Brasil.
A Volvo CE aposta em consumo de combustível e robustez, e cobra por isso na etiqueta. Em compensação, é marca tradicional no mercado brasileiro de usados, o que conta na hora de revender.
A indústria fechou julho com 9,4 semanas de pedidos na fila
A carteira de pedidos ficou em 9,4 semanas em julho, 3,3% acima do mesmo mês de 2025, informou a Abimaq. Pouco mais de dois meses de fila significa prazo de entrega curto para quem bate o martelo agora.
A utilização da capacidade instalada ficou em 78,4% no mês, ante 78,7% um ano antes. Há linha de produção ociosa na indústria brasileira, e isso pesa a favor de quem está do lado da compra.
No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o setor registra queda de 12,9%, e a Abimaq piorou a projeção do ano para uma retração de 8,4% nas vendas totais. As exportações somaram US$ 1,1 bilhão em julho, recuo de 10,9%.
Fábrica com fila curta e capacidade sobrando entrega mais rápido e negocia melhor, na linha nacional e na importada.
Antes de fechar negócio, dá para exigir a mesma resposta por escrito de qualquer uma dessas marcas: o prazo médio de reposição das peças de desgaste e de onde sai cada componente. Com 47,4% da máquina vendida no país vindo de fora, essa linha do contrato pesa tanto quanto o preço.