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Importado já é 47,4% da máquina comprada no Brasil, e a China responde por 36,2% do que o setor traz de fora

Locadoras de MáquinasPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Importado já é 47,4% da máquina comprada no Brasil, e a China responde por 36,2% do que o setor traz de fora

As importações já respondem por 47,4% das máquinas adquiridas no país, segundo o balanço de julho divulgado pela Abimaq em 1º de setembro. Na prática, quase metade do que o empresário brasileiro coloca na frota hoje é equipamento importado.

E o mercado brasileiro encolheu no mês. O consumo aparente, que soma a fabricação nacional vendida dentro do país e o equipamento importado, caiu 5,3%, para R$ 34,6 bilhões.

Medido em dólar, o importado subiu: US$ 2,95 bilhões em julho, alta de 2,1% sobre um ano antes. Em real, dentro do consumo aparente, ele ficou em R$ 16 bilhões, 5,4% abaixo de julho de 2025.

A indústria brasileira do setor fechou o mês com receita líquida de R$ 24,4 bilhões, queda de 8,9% ante julho de 2025. Do total, R$ 18,7 bilhões saíram do mercado interno, 5,3% menos que um ano antes.

Para o empresário que monta ou renova frota, 47,4% muda o que se pergunta na hora de fechar. A peça de reposição deixa de ser detalhe de contrato e vira critério de compra.

A China já responde por mais de um terço do que o setor importa

Desde janeiro de 2026, a China responde por 36,2% de tudo o que o setor importou, segundo a Abimaq. A cada três máquinas estrangeiras que desembarcam no país, mais de uma sai de fábrica chinesa.

O presidente executivo da Abimaq, José Velloso, afirma que o preço praticado pelo concorrente chinês está abaixo do que o fabricante brasileiro consegue oferecer. “Temos vários exemplos de produtos que estão sendo vendidos no nosso mercado a preços que não pagam a matéria-prima do produto brasileiro”, disse.

Velloso também aponta o juro alto como freio do investimento em máquina. O comprador sente o outro lado disso na proposta que chega à mesa, com nacional e importado disputando o mesmo pedido.

Origem concentrada tem efeito prático no pós-venda. Quanto mais longe fica a fábrica do componente, mais longo é o trajeto da peça até a frente de serviço, e essa é uma pergunta para fazer antes de assinar.

A origem da máquina decide o que vai custar depois da compra

O preço salta primeiro. Com o mercado em queda e capacidade ociosa na indústria, quem senta para negociar chega em posição melhor do que há um ano.

Só que a etiqueta menor não fecha o negócio sozinha. Desconto na compra vira prejuízo se o componente de reposição levar semanas para chegar, e essa parte não está escrita na proposta.

A revenda cobra caro de quem não olhou. Máquina de marca com pouca circulação no mercado de usados derrete mais na hora da troca, e esse desconto entra na conta lá na frente.

As locadoras já vinham em ciclo de compra, com R$ 52,9 bilhões projetados para a locação em 2026 pelo estudo da KPMG para a Analoc, puxando renovação de frota. A diferença agora está em qual origem de máquina entra nessa fila.

E tem a peça de reposição. Carregadeira esperando componente que vem de fora custa dia de operação, e o prazo de entrega dessa peça muda bastante conforme a marca e de onde ela sai.

Cada marca defende um ponto diferente na hora da compra

A XCMG chega pela escala de produção, que aparece na etiqueta de entrada que ela consegue praticar aqui. É fabricante chinesa, e a China responde por 36,2% do que o setor importou no ano.

A Bruto Brasil monta a linha no Brasil, e o efeito prático disso está no prazo de reposição: componente que sai de estoque nacional não depende de despacho aduaneiro nem de fila de porto. A BRT25, a mais procurada no agro, carrega 2.500 kg, tem caçamba de 1,5 m³ e motor Deutz Weichai de 6 cilindros e 125 HP.

A SDLG pertence ao grupo Volvo e ocupa a faixa de entrada dele. Isso coloca uma máquina de preço competitivo dentro de uma estrutura de distribuição que já estava montada no Brasil.

A Volvo CE aposta em consumo de combustível e robustez, e cobra por isso na etiqueta. Em compensação, é marca tradicional no mercado brasileiro de usados, o que conta na hora de revender.

A indústria fechou julho com 9,4 semanas de pedidos na fila

A carteira de pedidos ficou em 9,4 semanas em julho, 3,3% acima do mesmo mês de 2025, informou a Abimaq. Pouco mais de dois meses de fila significa prazo de entrega curto para quem bate o martelo agora.

A utilização da capacidade instalada ficou em 78,4% no mês, ante 78,7% um ano antes. Há linha de produção ociosa na indústria brasileira, e isso pesa a favor de quem está do lado da compra.

No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o setor registra queda de 12,9%, e a Abimaq piorou a projeção do ano para uma retração de 8,4% nas vendas totais. As exportações somaram US$ 1,1 bilhão em julho, recuo de 10,9%.

Fábrica com fila curta e capacidade sobrando entrega mais rápido e negocia melhor, na linha nacional e na importada.

Antes de fechar negócio, dá para exigir a mesma resposta por escrito de qualquer uma dessas marcas: o prazo médio de reposição das peças de desgaste e de onde sai cada componente. Com 47,4% da máquina vendida no país vindo de fora, essa linha do contrato pesa tanto quanto o preço.

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