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Copam libera expansão de R$ 3,5 bilhões em Mariana e joga uma frente de até 20 anos no colo das locadoras

Locadoras de MáquinasPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Copam libera expansão de R$ 3,5 bilhões em Mariana e joga uma frente de até 20 anos no colo das locadoras

A locadora que atende o eixo Mariana, Ouro Preto e Congonhas acordou na sexta com uma frente de serviço nova no mapa. O Copam aprovou a expansão da mina de ferro da Cedro Mineração, em Mariana (MG), e o movimento de terra que vem atrás dela não é obra de um verão.

Licença de instalação na mão não é intenção, é autorização para mobilizar canteiro. Quem quiser máquina nessa frente de lavra precisa decidir a compra antes de o primeiro acesso ser aberto.

Entenda a expansão

  • R$ 3,5 bilhões de investimento previsto, com execução declarada como gradual.

  • Capacidade de processamento sai de 2,5 milhões para 10 milhões de toneladas por ano de minério bruto.

  • Produção potencial de 5,5 milhões de toneladas por ano de pellet feed.

  • Vida útil estimada em até 20 anos, com extensão possível depois de novas campanhas de sondagem.

As três licenças saíram no mesmo dia

O Copam aprovou em 25 de setembro as licenças prévia, de instalação e de operação, todas na mesma sessão. Segundo a Cedro, o licenciamento ambiental durou quase três anos e reuniu os estudos dos meios físico, biótico e socioeconômico.

Para o dono de locadora, o documento que interessa é o do meio. A licença de instalação é o que destrava terraplanagem, abertura de acesso e praça de trabalho.

“Este projeto combina a ampliação da nossa capacidade, a geração de mais empregos em Mariana e a adoção de tecnologias mais modernas”, disse José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações, ao Diário do Comércio.

Pilha a seco pede máquina todo mês

O projeto prevê filtragem e empilhamento a seco do rejeito, sem disposição em barragem, e a Cedro planeja reaproveitar 85% da água usada nos processos. Barragem se constrói uma vez; pilha a seco se conforma e se mantém enquanto a mina existir.

Isso muda a natureza do serviço. Motoniveladora e rolo compactador não entram para fechar uma etapa e ir embora: eles voltam todo mês, pelo tempo em que a mina estiver de pé — até 20 anos, pela estimativa da Cedro.

Aí está o ponto que mexe na conta. Serviço recorrente de quase duas décadas não se atende com equipamento emprestado de terceiro na semana do aperto.

O que a lavra consome

Na frente de lavra, escavadeira e pá-carregadeira alimentam caminhão o turno inteiro. Na abertura de acessos e praças entram trator de esteira, motoniveladora e rolo.

No canteiro e na planta de beneficiamento, a retroescavadeira segura a ponta do serviço miúdo. Não há detalhamento público da frota da expansão: essa é a cesta que uma operação desse porte costuma consumir.

Mineração roda mais hora-máquina

Mina não é obra de rua. O turno é longo, a máquina passa muito mais hora dentro do material e isso encurta o tempo que o equipamento leva para se pagar.

Só que acelera o desgaste na mesma medida. Por isso a conta fecha em máquina nova: usada cansada em ciclo de mineração vira hora parada no pátio, e hora parada em contrato de mineradora custa caro.

Três caminhos para fechar a frota

Na linha amarela pesada, a Hyundai entrega rede de assistência espalhada pelo país e cabine feita para turno longo. A LiuGong joga com preço de aquisição mais baixo e peça de reposição de fácil acesso no mercado brasileiro.

A Bruto Brasil entra como custo-benefício nacional em pequeno e médio porte, com carregadeiras de até 3.500 kg de carga para alimentar caminhão e organizar pátio. É uma opção entre outras, não a resposta pronta.

Depende da conta de cada operação, e em mineração a variável que manda é hora-máquina por mês. Quem compra para mineração olha isso antes do preço de tabela.

Mil empregos entram quando a mina liga

A expansão prevê mais de mil empregos diretos e indiretos, e esse número está cravado na fase de operação da mina. A obra vem antes e é outra conversa.

No mesmo planejamento do grupo existe um projeto separado, o Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), de R$ 3,6 bilhões e até 15 milhões de toneladas por ano. Outro estado, outra obra, fora da conta de Mariana.

Fila de entrega decide quem pega a frente

Não há cronograma de início de obra divulgado. Mas licença de instalação aprovada é o sinal de que a mobilização entrou na fila, e fila de entrega de máquina no Brasil nunca foi curta.

Quem chega com o equipamento já no pátio pega o contrato. Quem espera a primeira motoniveladora aparecer na estrada de Mariana compra no aperto e entra atrasado.

Pilha a seco por até 20 anos é frota que se paga em hora-máquina faturada, não em diária pedida emprestada. Vale comparar preço, assistência e prazo de entrega, e olhar o que as locadoras de máquinas estão comprando antes de apertar a caneta.

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