A locadora que atende o eixo Mariana, Ouro Preto e Congonhas acordou na sexta com uma frente de serviço nova no mapa. O Copam aprovou a expansão da mina de ferro da Cedro Mineração, em Mariana (MG), e o movimento de terra que vem atrás dela não é obra de um verão.
Licença de instalação na mão não é intenção, é autorização para mobilizar canteiro. Quem quiser máquina nessa frente de lavra precisa decidir a compra antes de o primeiro acesso ser aberto.
Entenda a expansão
R$ 3,5 bilhões de investimento previsto, com execução declarada como gradual.
Capacidade de processamento sai de 2,5 milhões para 10 milhões de toneladas por ano de minério bruto.
Produção potencial de 5,5 milhões de toneladas por ano de pellet feed.
Vida útil estimada em até 20 anos, com extensão possível depois de novas campanhas de sondagem.
As três licenças saíram no mesmo dia
O Copam aprovou em 25 de setembro as licenças prévia, de instalação e de operação, todas na mesma sessão. Segundo a Cedro, o licenciamento ambiental durou quase três anos e reuniu os estudos dos meios físico, biótico e socioeconômico.
Para o dono de locadora, o documento que interessa é o do meio. A licença de instalação é o que destrava terraplanagem, abertura de acesso e praça de trabalho.
“Este projeto combina a ampliação da nossa capacidade, a geração de mais empregos em Mariana e a adoção de tecnologias mais modernas”, disse José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações, ao Diário do Comércio.
Pilha a seco pede máquina todo mês
O projeto prevê filtragem e empilhamento a seco do rejeito, sem disposição em barragem, e a Cedro planeja reaproveitar 85% da água usada nos processos. Barragem se constrói uma vez; pilha a seco se conforma e se mantém enquanto a mina existir.
Isso muda a natureza do serviço. Motoniveladora e rolo compactador não entram para fechar uma etapa e ir embora: eles voltam todo mês, pelo tempo em que a mina estiver de pé — até 20 anos, pela estimativa da Cedro.
Aí está o ponto que mexe na conta. Serviço recorrente de quase duas décadas não se atende com equipamento emprestado de terceiro na semana do aperto.
O que a lavra consome
Na frente de lavra, escavadeira e pá-carregadeira alimentam caminhão o turno inteiro. Na abertura de acessos e praças entram trator de esteira, motoniveladora e rolo.
No canteiro e na planta de beneficiamento, a retroescavadeira segura a ponta do serviço miúdo. Não há detalhamento público da frota da expansão: essa é a cesta que uma operação desse porte costuma consumir.
Mineração roda mais hora-máquina
Mina não é obra de rua. O turno é longo, a máquina passa muito mais hora dentro do material e isso encurta o tempo que o equipamento leva para se pagar.
Só que acelera o desgaste na mesma medida. Por isso a conta fecha em máquina nova: usada cansada em ciclo de mineração vira hora parada no pátio, e hora parada em contrato de mineradora custa caro.
Três caminhos para fechar a frota
Na linha amarela pesada, a Hyundai entrega rede de assistência espalhada pelo país e cabine feita para turno longo. A LiuGong joga com preço de aquisição mais baixo e peça de reposição de fácil acesso no mercado brasileiro.
A Bruto Brasil entra como custo-benefício nacional em pequeno e médio porte, com carregadeiras de até 3.500 kg de carga para alimentar caminhão e organizar pátio. É uma opção entre outras, não a resposta pronta.
Depende da conta de cada operação, e em mineração a variável que manda é hora-máquina por mês. Quem compra para mineração olha isso antes do preço de tabela.
Mil empregos entram quando a mina liga
A expansão prevê mais de mil empregos diretos e indiretos, e esse número está cravado na fase de operação da mina. A obra vem antes e é outra conversa.
No mesmo planejamento do grupo existe um projeto separado, o Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), de R$ 3,6 bilhões e até 15 milhões de toneladas por ano. Outro estado, outra obra, fora da conta de Mariana.
Fila de entrega decide quem pega a frente
Não há cronograma de início de obra divulgado. Mas licença de instalação aprovada é o sinal de que a mobilização entrou na fila, e fila de entrega de máquina no Brasil nunca foi curta.
Quem chega com o equipamento já no pátio pega o contrato. Quem espera a primeira motoniveladora aparecer na estrada de Mariana compra no aperto e entra atrasado.
Pilha a seco por até 20 anos é frota que se paga em hora-máquina faturada, não em diária pedida emprestada. Vale comparar preço, assistência e prazo de entrega, e olhar o que as locadoras de máquinas estão comprando antes de apertar a caneta.