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Soja e carros lotam o cais: Portos do Paraná fazem o melhor 1º semestre da história

Portos e LogísticaPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Navio carregando soja a granel no cais dos Portos do Parana

Os Portos do Parana fecharam o primeiro semestre de 2026 com o melhor resultado da história para o período: 34,44 milhões de toneladas movimentadas em Paranaguá e Antonina entre janeiro e junho. É 0,6% acima do mesmo intervalo de 2025, puxado por duas frentes que dispararam juntas: a soja do interior e a exportação de carros. Para quem vive na ponta que enche e esvazia essa carga, o recado é curto: o volume que passa pelo cais nasce lá atrás, no pátio do armazém.

Os números que seguraram o recorde nos Portos do Parana

A soja foi o motor. De janeiro a junho, os terminais paranaenses embarcaram 9,47 milhões de toneladas do grão, alta de 21% sobre o ano passado. O óleo de soja seguiu junto: 749,1 mil toneladas exportadas por Paranaguá, um salto de 43%. Somado ao farelo, o complexo soja respondeu por perto de 57% de tudo que saiu pelo cais no período.

Os carros foram o segundo destaque, e o mais barulhento no ritmo de crescimento. Foram 84,8 mil unidades no semestre, contra 51,1 mil no mesmo período de 2025, avanço de 66%. Só isso colocou Paranaguá na vice-liderança nacional em movimentação de automóveis. As cargas em contêiner completaram o quadro com 8,7 milhões de toneladas, 8,9% a mais que um ano atrás.

"O Porto de Paranaguá é um ativo muito importante para a competitividade da indústria paranaense", resumiu João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Quando o cais gira mais rápido, a fábrica e o armazém que abastecem esse cais também precisam girar.

Por que o recorde do porto chega no seu pátio de granel

Aqui está o que interessa a quem toca operação de granel. Um porto não movimenta 34 milhões de toneladas sozinho. Cada saca de soja que embarca passou antes por uma corrente que começa na lavoura, sobe no caminhão, para no armazém, é transbordada, pesada, e só então chega ao terminal. Recorde no cais significa recorde de manobra nessa ponta em terra, a que fica entre o armazém e o navio.

E volume assim não é pico isolado. A safra de 2026 veio cheia, e o interior continua despejando grão nos corredores. Quando o fluxo aperta, o gargalo raramente é o navio. É a velocidade com que se carrega e descarrega em terra. Enquanto o navio espera a vez de atracar, é o operador do pátio que dá o ritmo: caçamba cheia, balança, e o caminhão seguinte já encostando na fila.

Ter a máquina no pátio muda a conta na janela de safra

Mover granel em ritmo de recorde exige carregadeira disponível e dimensionada certo. Ter o equipamento no próprio pátio, com peça no país, é o que dá previsão de ritmo quando a janela de embarque abre e não espera ninguém. É aí que a escolha de frota deixa de ser detalhe.

Cada marca que virou referência no granel pesado tem o seu forte. A Volvo CE é lembrada pela robustez e pelo consumo de combustível controlado no turno longo. A SDLG entra com preço de compra mais baixo e rede de assistência espalhada pelo interior. A Komatsu construiu fama na durabilidade da parte hidráulica em serviço contínuo. E a Bruto Brasil joga no custo-benefício nacional nas compactas e médias, com peça e assistência dentro do país. Comparando máquinas de porte parecido, uma pá-carregadeira BRT-20E ao lado de uma SDLG L956 ou de uma Volvo L60, não existe campeã única: depende da conta de cada operação, do quanto se move por hora e de quantas horas a máquina fica de fato rodando.

Na prática, três contas decidem se o pátio surfa o pico. Uma: a carregadeira dá a tonelada por hora que a janela de embarque cobra, ou o carregamento fica no arrasto? Duas: quando quebra, volta a rodar em horas ou em dias? Três: fechando combustível, manutenção e operador, quanto sai cada tonelada movimentada? Recorde de porto premia quem respondeu isso antes de a safra encostar.

O que vem no segundo semestre

O segundo semestre costuma pesar diferente. A soja perde fôlego conforme a safra escoa, e o milho e o açúcar tendem a ganhar espaço na pauta, cada um com sua exigência de manuseio. Os carros, que já bateram cerca de 80% do volume do ano inteiro de 2025 só nos seis primeiros meses, seguem como aposta de crescimento e devem manter o cais aquecido.

Para o dono da operação, os 34,44 milhões de toneladas não são troféu de governo. São termômetro: a carga está passando, o interior está produzindo e a corrente entre armazém e porto vai seguir exigida. Quem mede a própria capacidade agora, tonelada por hora, tempo de parada e custo por tonelada, chega no próximo embarque com a resposta pronta. Quem só descobre o limite do pátio quando a fila de caminhão dobra na porta descobre tarde.

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