Os portos do Brasil viveram o semestre mais movimentado de que se tem registro. Segundo a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), o país embarcou e desembarcou 653,7 milhões de toneladas nos seis primeiros meses do ano, alta de 1% sobre o mesmo período do ano passado e novo recorde para a janela. O número é grande, mas o recado é maior: nos portos do Brasil, achar carga deixou de ser o problema. O aperto agora é dar conta dela em terra.
Os números do semestre
- 653,7 milhões de toneladas movimentadas, alta de 1% e recorde para o período.
- Contêineres: 78,1 milhões de toneladas, recorde próprio do segmento.
- Granéis sólidos (soja, milho, minério e fertilizante): 387,1 milhões de toneladas.
- Santos: 67,9 milhões de toneladas, líder entre os portos públicos.
Onde o volume cresceu
Dois segmentos puxaram a conta e bateram recorde próprio. Os contêineres somaram 78,1 milhões de toneladas. Os granéis sólidos, a turma da soja, do milho, do minério e do fertilizante, chegaram a 387,1 milhões de toneladas. Entre os portos públicos, Santos ficou na frente com 67,9 milhões de toneladas e segue como a principal porta de saída do país.
O salto que mais chama atenção veio de Itajaí, em Santa Catarina. O porto cresceu 1.494,58% depois de retomar a operação que ficou quase parada no fim de 2022. Saiu do quadro de terminal ocioso e entrou num plano de R$ 844 milhões em modernização até 2030. No longo curso, o comércio com o exterior que responde por 95% do que o Brasil vende e compra lá fora, o avanço foi de 2%.
O funil saiu do mar e foi para a terra
Durante anos a briga nos portos foi atrair carga. Essa fase acabou. Com volume recorde entrando pelo cais, o que separa um terminal que anda de um terminal engarrafado não é mais quanta mercadoria chega, e sim quanto o pátio consegue processar por hora. Movimentação e escoamento viraram o novo teto.
É aí que o recorde sai da planilha e cai na operação. Cada contêiner encalhado no pátio ocupa espaço que vale dinheiro. Cada caminhão na fila do embarque queima diesel, hora de motorista e janela de berço. Quando falta demanda, você espera o mercado virar. Quando falta capacidade, a solução está dentro do seu portão: depende de máquina, layout e disciplina no trato do pátio.
Quem gira mais tonelada por hora leva o próximo contrato
Para o dono de terminal, o operador portuário e a transportadora que serve o porto, o número da Antaq vira uma conta simples: quem move mais tonelada por hora fecha o próximo frete. A produtividade da movimentação passou a valer mais que qualquer coisa no pátio, e ela depende de o equipamento estar de pé quando o navio atraca.
Empilhadeira pesada, reach stacker, pá-carregadeira e a frota de apoio deixam de ser só custo e entram na linha de frente da receita. E aqui o que decide não é a ficha técnica sozinha, é o tempo que a máquina passa trabalhando. Uma carregadeira que roda o dia inteiro entrega mais tonelada que uma mais forte que fica parada esperando peça. Por isso a escolha pesa na confiabilidade, na assistência perto e na facilidade de manutenção.
No pátio de granel dá para ver isso na prática. A Volvo CE é lembrada pela robustez e pelo consumo de diesel mais camarada no fim do mês. A Komatsu tem fama de durabilidade e de eletrônica bem resolvida. A SDLG entra pelo preço de porta e por uma rede de assistência que cresceu rápido no Brasil. A Bruto Brasil joga no custo-benefício nacional em pequeno e médio porte, com peça fácil de achar. Cada marca tem seu ponto forte de verdade; qual compensa depende da conta de cada operação e do tipo de carga que passa pelo cais.
A carga chegou para ficar
O recorde não é pico isolado. É sinal de que o funil desceu do mar para a terra: pátio, equipamento e a estrada que leva a mercadoria embora. Itajaí colocou R$ 844 milhões na mesa por ter enxergado isso antes. Santos segue na ponta por operar rápido, não por operar sozinho. O volume já está batendo no portão, e o próximo navio não vai esperar o pátio se organizar.