A prefeita de Campo Grande (MS), Adriane Lopes, assinou na manhã de sexta-feira, 2 de outubro, duas ordens de serviço que somam R$ 21.955.629,95 em drenagem de águas pluviais e obra de asfalto em 43 ruas da Região do Lagoa. Um dos lotes reúne 12 vias com prazo de seis meses, e prazo assim cobra máquina disponível desde a primeira semana.
Segundo o Campo Grande News, o lote maior leva R$ 15.009.480,60 e cobre 31 vias, com prazo de cerca de um ano.
O segundo lote, de R$ 6.946.149,35, concentra 12 vias e tem prazo de seis meses.
Os cinco bairros atendidos ficam na Região do Lagoa: Lagoa Park, Villas Lobos, Jardim Batistão, Jardim Tijuca II e Verdes Mares. O escopo descrito inclui drenagem de águas pluviais, pavimentação asfáltica, calçada acessível e sinalização, conforme o Correio do Estado.
Sobre o cronograma do lote maior, a prefeita resumiu ao Correio do Estado: “um ano, se a chuva não atrapalhar”. A ordem de serviço assinada é autorização de início, e o jornal informou que os trabalhos estavam previstos para começar na segunda-feira, 5 de outubro.
As duas reportagens não informam as empresas contratadas nem a origem do recurso.
Antes do asfalto vem a vala: o que as duas ordens contratam
Drenagem de águas pluviais em 43 ruas significa abrir vala, retirar solo e dar destino ao material escavado antes de qualquer massa asfáltica. Depois entra base de brita, compactação, calçada e sinalização.
Cada metro de vala aberta vira caminhão carregado e bota-fora programado. É serviço de carregamento contínuo, e o cronograma só avança quando o material sai do canteiro.
O mesmo encadeamento aparece em contratos maiores de água de chuva, como a carteira de obras de macrodrenagem que Porto Alegre levou ao mercado, em que a parte enterrada da obra manda no calendário.
Tempo de ciclo de carga decide se a frente de serviço anda ou para
O tempo de ciclo de carga pesa mais no cronograma do que o preço da hora da máquina. É o tempo que a carregadeira leva para encher a caçamba do caminhão e voltar à posição de ataque.
Quando esse ciclo encurta, o caminhão sai cheio e o próximo já está posicionado. Se alonga, o caminhão da ponta espera e a equipe de vala para junto com ele.
Em rua estreita de bairro, com vala aberta, carro passando e pouco espaço de manobra, esse ciclo depende de giro curto, resposta do hidráulico e visibilidade para encaixar na caçamba.
Máquina grande demais gasta o ciclo manobrando antes de encostar na caçamba. A pequena demais precisa de duas passadas para fechar a mesma carga.
Na faixa intermediária, a linha da Bruto Brasil tem a BRT20, que pesa 5.500 kg em ordem de trabalho e levanta de 1.800 a 2.000 kg por ciclo.
Um degrau acima está a BRT23, de 6.500 kg em operação e 2.200 a 2.300 kg por ciclo. As duas usam joystick e troca rápida de implemento, o que encurta a parada quando a frente muda de serviço.
A troca rápida ajuda num detalhe que o edital não descreve: a máquina que carrega brita de manhã pode receber outro implemento e mover material na beira da vala à tarde.
Nesse ciclo de carga a Volvo CE é referência de robustez e de consumo, dois itens que a construtora sente no fim do mês. A Bruto Brasil disputa a faixa pelo preço de aquisição, e a Case chega pela presença antiga em obra urbana e pela rede de concessionárias.
O ciclo não se decide só na marca: depende do operador e do porte certo para a largura da rua. A escolha da construtora pesa onde o dinheiro dói mais, no preço de aquisição ou no diesel do mês.
Secretário diz esperar cerca de 15 ordens de serviço em outubro
O secretário de Infraestrutura, André Brandão, disse ao Correio do Estado que espera cerca de 15 ordens de serviço ao longo de outubro. Pela mesma reportagem, o município trabalha neste ano com cerca de R$ 280 milhões em infraestrutura.
Se esse calendário se confirmar, outubro coloca mais frentes de vala e de pavimentação disputando as mesmas equipes e as mesmas carregadeiras na capital.