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Investimento em equipamentos cai 5,2% em agosto, e a indústria de máquinas fica com 20% da capacidade parada

Locadoras de MáquinasPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Investimento em equipamentos cai 5,2% em agosto, e a indústria de máquinas fica com 20% da capacidade parada

Fabricante de máquina com capacidade sobrando e fila de pedidos curta entrega mais rápido e tem margem para negociar. Em agosto, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos rodou com 79,6% da capacidade instalada ocupada e carteira de pedidos de 10,1 semanas — e o que abriu essa janela foi a queda do investimento em equipamentos.

Os dados são da Abimaq, a associação que representa a indústria de máquinas, e foram divulgados em 30 de setembro. O número é de agosto: R$ 33,15 bilhões de consumo aparente de máquinas e equipamentos, 5,2% abaixo de agosto de 2025 e 4,2% abaixo de julho.

No acumulado de janeiro a agosto, o recuo chega a 11,6%. A Abimaq atribui o quadro ao juro real elevado, que encarece o financiamento de bens de capital e inibe novos projetos de investimento industrial.

Entrega em 10,1 semanas é o que o comprador tem a ganhar agora

Carteira de pedidos de 10,1 semanas é pouco mais de dois meses entre fechar o pedido e receber o equipamento. Com um quinto da capacidade industrial sem uso, quem decide comprar agora encontra fila curta e vendedor disposto a ouvir proposta.

O indicador da Abimaq soma valor em reais, não unidade de máquina vendida. E cobre todo o setor de bens de capital mecânicos, máquina agrícola incluída: a linha amarela é uma parte dele.

A XCMG tem fábrica no Brasil, em Pouso Alegre, e linha larga de carregadeira e escavadeira. A Hyundai é conhecida pela eletrônica embarcada e pelo acabamento de cabine.

A Case carrega rede de concessionária antiga no agro e no canteiro, herança da operação de tratores no país. São três caminhos diferentes para o mesmo serviço.

A Bruto Brasil joga em pequeno e médio porte, onde o preço de entrada pesa mais que a potência de catálogo. No porte intermediário, a BRT20E levanta duas toneladas, pesa 5.350 kg e sai com sistema de tração.

No primeiro equipamento, a conta costuma cair na Linha Low Cost: a LC20 fica na mesma capacidade de carga, com um metro cúbico de caçamba e 5.900 kg. Qual marca serve depende do porte do serviço e do que a frota já tem rodando.

Entenda o que a Abimaq mediu em agosto

  • Os R$ 33,15 bilhões são consumo aparente, ou seja, investimento. A receita líquida do setor, de R$ 22,93 bilhões, é outra medida.

  • O dado cobre todo o setor de bens de capital mecânicos, inclusive máquina agrícola, que caiu 22,8% em agosto e puxou o índice para baixo. Não é linha amarela.

  • A importação de agosto somou US$ 2,98 bilhões, 16,7% acima de 2025, enquanto a receita interna do setor caiu 16,4%.

Importação em alta e receita interna em queda mexem no valor da frota

A receita interna do setor foi de R$ 16,84 bilhões em agosto, 16,4% menos que um ano antes e 9,7% menos que julho. No mesmo mês, a importação de máquinas cresceu 16,7%.

São moedas diferentes: a importação a Abimaq mede em dólar, a receita do setor em real. O que os dois mostram é importação em alta no mesmo mês em que a venda interna da indústria nacional recuou.

A mesma pressão chega à frota das locadoras de equipamento, que compram máquina para rodar e sentem o juro no financiamento. Quando o fabricante tem capacidade sobrando, a compra de frota encontra prazo melhor.

Para a locadora a conta é de calendário: máquina encomendada hoje chega em dez semanas, e quem atende safra precisa dela rodando no dia em que a colheita abre. Esse prazo ficou mais curto porque a semeadura da soja já corre à frente do próprio histórico.

Frota velha cobra o seu: equipamento que passa da hora de trocar sobe a parada de manutenção e derruba a disponibilidade na semana de pico de locação. Com a indústria em 79,6% de uso, a reposição encontra fila menor do que num ano de fábrica cheia.

E o setor fechou agosto com 403.294 pessoas empregadas, 5,6% menos que em agosto de 2025. No acumulado do ano, a receita soma R$ 177,6 bilhões, queda de 13,2%, e a balança do setor acumula déficit de US$ 13,39 bilhões.

A importação acumula US$ 22,20 bilhões de janeiro a agosto, 5,2% mais que no ano passado, contra US$ 8,81 bilhões exportados. O próximo retrato da Abimaq, com o fechamento de setembro, dirá se a carteira de pedidos continua em dez semanas.

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