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Falta de trabalhador no campo já supera clima e preço na lista de problemas do produtor

Fazendas e AgroPublicado em CompartilharTweetarPinterestWhatsApp
Falta de trabalhador no campo já supera clima e preço na lista de problemas do produtor

Falta de trabalhador no campo já é o problema número um do produtor rural brasileiro, à frente do clima e do preço. E foi o que empurrou 42,6% deles a antecipar a mecanização da propriedade.

Pesquisa da CNA mostra que 45% dos produtores colocam a escassez de mão de obra como o principal desafio da atividade. O estudo foi apresentado em 25 de agosto, em São Paulo, no evento Agenda Brasil, Crescimento, Emprego e Competitividade.

A falta de trabalhador no campo já atrasa a operação

Não é queixa isolada. Segundo a CNA, 75% dos entrevistados põem a falta de gente entre os três maiores problemas do negócio, e 95% já enfrentaram dificuldade para contratar.

Nos números do mesmo estudo divulgados pela Abrafrutas, 48,7% dos produtores tiveram atraso em operações e 43,9% viram o custo de produção subir. Outros 48% adiaram ou suspenderam planos de expansão.

O aperto varia por região. A CNA registrou desemprego de 8,3% no Nordeste contra 3,6% no Sul, o que muda o tamanho da fila de candidatos conforme o estado.

A pesquisa ouviu produtores de toda a agropecuária, e o mesmo aperto aparece na rotina de quem toca a pecuária, onde o trato no cocho não espera a vaga ser preenchida.

Mecanização antecipada entrou na conta

Sem gente para contratar, 42,6% dos produtores anteciparam planos de mecanização, segundo os dados do estudo divulgados pela Abrafrutas. A máquina chegou antes do previsto para cobrir o serviço que ficou sem ninguém.

E quase todo mundo mexeu em alguma coisa: 88,8% dos entrevistados adotaram alguma alternativa diante da falta de trabalhador.

No carregamento de silagem e de granel dentro da porteira, esse remanejo costuma parar na carregadeira, e o produtor que vai comprar a primeira olha duas coisas: preço de entrada e onde está a peça.

A SDLG entrou forte no agro brasileiro pelo preço de entrada e pela rede de assistência já montada, e a Bruto Brasil fabrica no país e disputa a mesma faixa pelo custo de aquisição, com peça de reposição comprada dentro do Brasil.

A CNA rebate a leitura de que a máquina esteja expulsando gente do campo.

"A mecanização tem produzido desemprego rural? A resposta é não", disse Isabel de Faria, economista sênior da entidade.

Produtividade por trabalhador subiu 515% em 30 anos

Nos últimos 30 anos, a produtividade do trabalho agropecuário cresceu 515%, contra 28% no conjunto da economia, segundo a CNA. É produção por trabalhador, medida que sobe quando a mesma equipe dá conta de mais área.

Quem ficou no campo também estudou mais. Entre 2012 e 2025, o número de trabalhadores rurais com ensino médio subiu 114%, e o de trabalhadores com ensino superior, 155%, aponta o levantamento publicado pela Abrafrutas.

O salário acompanhou o movimento. Entre 2022 e 2025, a remuneração na agropecuária subiu 35,2%, contra 24,8% na média da economia brasileira.

Mesmo assim a vaga continua aberta. O estudo mostra que 83% dos produtores percebem interferência de programas sociais na contratação, e 63,2% relataram candidatos recusando o emprego por medo de perder o benefício.

Em 2025, o desemprego no país girava em torno de 5%, e a subutilização da força de trabalho chegava a 14,4%, segundo os dados apresentados no estudo. Mercado apertado do lado de fora da porteira também ajuda a explicar a fila curta de candidatos na fazenda.

Segundo a economista sênior da CNA, Isabel de Faria, entre 14 milhões e 15 milhões de brasileiros trabalham menos horas do que gostariam ou estão fora do mercado de trabalho. Para ela, é potencial de mão de obra que o país ainda não aproveitou.

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