O Índice de Confiança da Construção fechou setembro em 90,5 pontos, 1,4 ponto abaixo do mês anterior, mas o número que pesa no canteiro é outro: o índice de expectativas caiu 1,6 ponto, mais do que o da situação atual, que recuou 1,0 ponto. Traduzindo para a planilha de quem administra empreiteira: o mês que termina incomoda menos do que a obra que vem depois dele.
Expectativa mais fraca nas obras de infraestrutura significa carteira mais curta à frente, e carteira curta empurra mais empresa para dentro da mesma licitação. A disputa pelo próximo contrato fica mais dura, o preço aperta na hora de compor a proposta, e a ocupação de equipe e de frota precisa ser recalculada agora, em outubro, não em janeiro.
O que a sondagem mediu
ICST (confiança geral): queda de 1,4 ponto, para 90,5 pontos
ISA-CST (situação atual): queda de 1,0 ponto, para 90,7 pontos
IE-CST (expectativas): queda de 1,6 ponto, para 90,5 pontos
Média móvel trimestral: recuo de 0,4 ponto, para 91,6 pontos
Os dados saíram na sexta-feira, 25 de setembro, na Sondagem da Construção divulgada pela FGV IBRE. A pesquisa colhe a percepção das próprias empresas dentro do mês corrente, então é leitura de setembro feita em setembro, e não retrato de um mês já fechado.
O que travou nas obras de infraestrutura
Segundo a FGV IBRE, o recuo do índice geral veio principalmente da piora das expectativas. E entre os segmentos pesquisados, a maior retração mensal apareceu justamente em obras de infraestrutura, o pedaço do setor que depende de contrato público, de cronograma de repasse e de ordem de serviço assinada.
Carteira mais curta muda o critério de quem ganha a obra. Com menos contrato em disputa, sobra o prazo: sai na frente a empresa que mobiliza rápido, sobe no terreno e começa a movimentar terra na mesma semana em que o contrato é assinado.
Aí aparece a diferença entre ter a máquina e depender da agenda de outro. Empreiteira que precisa esperar uma escavadeira ou uma motoniveladora liberar entra na disputa com uma variável que não controla, e em obras de terraplanagem isso pesa dobrado, porque corte e aterro travam tudo que vem depois no cronograma.
Recalcular ocupação de frota, nessa altura, é exercício de cronograma: quantas frentes a empresa consegue abrir ao mesmo tempo, com quantos operadores, e por quanto tempo cada máquina fica presa em cada etapa. Com carteira encurtando, sobra menos folga para deixar uma frente aberta esperando equipamento chegar.
Expectativa caiu mais que o presente
A distância entre os dois índices é pequena, mas diz para onde o setor acha que está indo. O ISA-CST, que olha o presente, ficou em 90,7 pontos; o IE-CST, que olha o que vem, ficou em 90,5 pontos.
Sondagem de confiança mede disposição. E disposição em queda costuma aparecer primeiro na decisão de contratar equipe e de segurar compra já programada, muito antes de virar número de faturamento no balanço do trimestre.
Na média móvel trimestral, que amortece o sobe e desce de um mês isolado, o indicador recuou 0,4 ponto, para 91,6 pontos. Ou seja: a perda de ritmo não é ruído de uma rodada só.
A comparação anual dá a dimensão do estrago. O ICST de setembro está 2,0 pontos abaixo do que marcava em setembro de 2025, e as próximas rodadas de licitação em infraestrutura é que vão mostrar se essa expectativa mais azeda chega ao edital em forma de mais concorrente na mesa e desconto mais agressivo na proposta.