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Estoque de soja vale o melhor preço desde 2023 em Paranaguá

Fazendas e AgroPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Estoque de soja vale o melhor preço desde 2023 em Paranaguá

O indicador Cepea/Esalq da soja no porto de Paranaguá (PR) fechou na quinta-feira (24) a R$ 161,84 a saca de 60 kg, alta de 0,12% no dia. É o preço mais alto desde fevereiro de 2023, e quem tem estoque de soja parado no armazém está sentado na melhor janela de venda em mais de três anos.

A máxima do ano ficou pouco acima disso: R$ 162,02 a saca, em 17 de setembro, também em Paranaguá. O mercado bateu no teto do ano há uma semana e voltou quase ao mesmo ponto.

Só que janela de preço não espera caminhão. Ela abre, o produtor carrega e vende, ou ela fecha antes de a carregadeira do prestador aparecer no pátio do armazém.

O preço subiu por dólar e exportação, não por falta de grão

A alta de setembro não veio de escassez de oferta no mercado interno. O que empurra a saca é o dólar e a demanda de exportação, com o porto puxando o indicador para cima.

Essa diferença define o tamanho da janela. Preço sustentado por câmbio e embarque vira de um dia para o outro, enquanto falta de grão levaria meses para se desfazer.

Na parcial de setembro de 2026, é o quinto mês consecutivo de alta, segundo o Cepea/Esalq. Um ciclo longo assim testa a paciência de quem está segurando carga no silo.

Vender agora ou segurar mais um pouco? A resposta muda de fazenda para fazenda, mas ela só vale para quem consegue executar a venda no dia em que decidiu vender.

A conta da margem começa muito antes do porto. O custo por hectare da soja em Mato Grosso do Sul mostra quanto a lavoura precisa entregar antes de sobrar dinheiro para o produtor.

E quem depende da agenda de terceiro para tirar grão do armazém não escolhe o dia da venda. Quem escolhe é o prestador.

Carregadeira própria no armazém muda o dia da venda

O serviço aqui é de carregadeira de classe agro, de porte intermediário. Ela retira o grão do armazém, carrega o graneleiro e ainda movimenta calcário e adubo no pátio entre uma viagem e outra.

Quando a máquina é da fazenda, o carregamento começa às cinco da manhã porque o dono mandou começar. Quando a máquina vem de fora, começa quando o terceiro pode.

Ter o equipamento no pátio dilui o custo por hora de trabalho. A máquina entra como bem da empresa, roda na safra e na safrinha, e pode ser financiada por linha como o Finame, do BNDES.

Máquina que trabalha o ano inteiro se paga mais rápido do que a que só é chamada no pico do escoamento.

Na classe intermediária, a Volvo CE é referência de robustez de estrutura e de consumo de combustível.

A LiuGong ataca pelo preço de aquisição mais baixo e pela peça de reposição fácil de achar.

A Bruto Brasil aposta no custo-benefício de máquina nacional. A BRT25 é a mais procurada no agro, com 2.500 kg de capacidade e caçamba de 1,5 m³, medida que carrega o graneleiro sem sobrar equipamento para o serviço.

A escolha entre as três muda com o volume de grão que a fazenda movimenta e com o que já existe de frota rodando na propriedade.

O relógio da safra nova já começou a correr

A soja 2026/27 saiu devagar. No 12º levantamento da Conab, com posição em 18 de setembro, apenas 0,5% da área nacional estava semeada, abaixo da média de cinco anos, de 0,9%.

No Paraná o atraso se repete. A Conab aponta 2% da área plantada no estado, contra 3% no ano passado e média de 3,6% nas últimas cinco safras.

Mato Grosso foi na direção contrária. O Imea registrou 1,15% da área projetada semeada na mesma data, acima da média histórica de 0,94% e dos 0,55% do mesmo período da safra passada.

O empurrão veio do Oeste do estado, com 2,19% da área. É mais que o dobro da média histórica de 0,94% do estado inteiro.

O Imea projeta 13,05 milhões de hectares de soja em Mato Grosso e produção de 48,88 milhões de toneladas. Fica abaixo do recorde de 51,6 milhões de toneladas da safra 2025/26.

Enquanto o plantio novo engatinha, o grão velho no silo vale o que o porto paga hoje. Cada semana de atraso na semeadura empurra colheita e frete para mais perto do aperto.

O plantio nacional segue abaixo da média de cinco anos de semeadura. Enquanto a safra nova não entra, o preço em Paranaguá é o que decide quando o estoque sai do armazém.

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