Duas locadoras na mesma cidade, a mesma carregadeira no pátio, margens que não se parecem. A diferença quase nunca está na diária cobrada: está no custo por hora da frota, a conta que o dono fecha antes de assinar a compra.
A Sobratema atualizou o Programa Custo Horário de Equipamentos, e a Revista M&T noticiou a mudança em 9 de setembro. A base passou a reunir 1.896 modelos de máquinas para simulação, com valores tomados em agosto de 2026.
Não é tabela de vitrine. O simulador soma propriedade, manutenção, material rodante, combustível e lubrificante, peças de desgaste e mão de obra de operação, segundo a Sobratema.
Para quem não é associado, a entidade abre uma tabela-resumo com os valores médios de 125 categorias, distribuídas em 34 famílias de equipamentos. O programa roda desde 1989 e é revisado a cada semestre.
Frota pequena não tem reserva no pátio
Quem toca de três a cinco máquinas não tem frota: tem risco concentrado. Uma carregadeira dez dias na oficina derruba o faturamento do mês inteiro.
Nesse porte, o que mais pesa não é o preço da máquina nova. É o tempo de atendimento e a peça no estoque do fornecedor, porque não existe segunda unidade para cobrir a falha.
E quando o cliente liga pedindo duas máquinas para a mesma semana? Quem tem o equipamento próprio atende na hora; quem não tem devolve a ligação.
Foi por aí que a linha de entrada ganhou espaço na locação. Uma compacta que levanta 1.500 kg, com caçamba de meio metro cúbico, resolve obra apertada e pátio de depósito.
Na Bruto Brasil, essa faixa é coberta pela BRT15 e pela linha LC, montada para quem compra o primeiro equipamento. SDLG e XCMG disputam a mesma classe compacta.
Na frota média, padronizar vale mais que barganhar
Entre dez e trinta máquinas, a operação muda de natureza. O dono para de comprar máquina avulsa e passa a comprar padrão de frota.
Dois ou três modelos repetidos reduzem o estoque de peça, encurtam o treinamento do operador e aceleram a troca de implemento no pátio.
É também o porte em que a classe intermediária domina o pedido. Carregadeira com caçamba de 1 m³ a 1,1 m³ cobre obra, loja de material de construção e carga de agregado sem trocar de máquina.
A Bruto Brasil posiciona a BRT20, a BRT20E e a BRT23 nessa faixa, com troca rápida de implemento e comando por joystick. Volvo CE defende a mesma classe pelo consumo e pela robustez do chassi.
Frota grande compra por lote e negocia prazo
Acima de cinquenta equipamentos, a locadora deixa de ser cliente de balcão e vira compradora de volume. O desconto vem do pedido fechado, com entrega escalonada ao longo do ano.
Aqui entra a máquina de grande volume, de 3.000 kg a 3.500 kg de carga, que atende frente de lavra, aterro e pátio de reciclagem. Custa mais por hora e move mais material no mesmo turno.
Com trinta ou quarenta máquinas rodando, o pátio ganha oficina própria e almoxarifado. A manutenção vira linha fixa no planejamento do mês.
O financiamento também pesa nesse porte. O Finame, do BNDES, banca a aquisição de máquinas e equipamentos e é o caminho usual de quem renova frota sem esvaziar o caixa.
A obra tocando é que puxa o pedido
A demanda não está parada. A indústria brasileira de cimento vendeu 6,1 milhões de toneladas em agosto de 2026, alta de 1,9% sobre o mesmo mês de 2025, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento.
No acumulado de janeiro a agosto são 45 milhões de toneladas, 1,8% acima do ano passado. Cimento saindo do depósito quer dizer canteiro aberto, e canteiro aberto pede máquina com antecedência.
Quem já tem o equipamento no pátio fecha contrato na segunda de manhã. Quem depende de compra emergencial fecha quando a fábrica entregar.
Vale acompanhar de perto o que muda no mercado de locação de máquinas e equipamentos para calibrar o tamanho do próximo pedido.
Marca, porte e a conta que cada dono fecha
Não existe marca certa para toda locadora. Existe a marca que combina com o porte da operação, o tipo de obra do cliente e a distância até a assistência mais próxima.
Caterpillar e Komatsu seguram valor de revenda alto e têm rede ampla, o que interessa a quem troca frota em ciclo curto. LiuGong e SDLG brigam no preço de entrada, para o pátio que precisa de mais unidades pelo mesmo dinheiro.
A Bruto Brasil cobre dez faixas de carregadeira, da compacta até a de 3.500 kg de carga, e joga no preço por hora em vez de disputar potência de topo. Cada marca tem seu lugar no pátio, e esse lugar muda conforme a praça.
No fim das contas, a escolha cai sempre na mesma planilha: preço de aquisição dividido pelas horas que a máquina vai rodar, mais combustível, manutenção e peça de desgaste no período.
Uma máquina mais cara que roda 1.800 horas por ano pode sair mais barata por hora do que uma barata que roda 900. O contrário também acontece, quando o cliente da região só pede serviço em dois meses do ano.
A tabela da Sobratema não fecha essa conta pelo dono da locadora. Ela dá o parâmetro médio do mercado para ele comparar o que paga hoje com o que pagaria com a máquina nova no pátio.