De cada cinco máquinas de linha amarela vendidas no Brasil no primeiro semestre, quase uma foi parar em pátio de locadora. A locação ficou com 19% das compras e é hoje o terceiro maior comprador do país, atrás só do setor público, com 23%, e da construção pesada, com 22%.
Os números saíram do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos, apresentado no 2º Radar Tendências, transmitido em 23 de julho pela Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos. Fecham a lista de compradores a construção leve, com 14%, agro e florestal, com 12%, e mineração, com 10%.
Mercado deve vender 35.843 máquinas amarelas em 2026
A projeção da Sobratema é de 35.843 unidades de linha amarela vendidas neste ano, alta de 4% na conta da Sobratema. Somando guindastes, compressores, manipuladores telescópicos, plataformas aéreas, equipamentos de concreto, caminhões e tratores pesados, são 58.611 unidades, também 4% acima.
Não é um número óbvio para um ano de juro alto e crédito mais fechado. "O primeiro semestre confirmou um mercado consistente. A expectativa é de um segundo semestre mais cauteloso, mas suficiente para consolidar esse resultado", disse Claudio Schmidt, coordenador do Estudo Sobratema.
De onde vem o dinheiro que enche o pátio
O faturamento do setor de locação sustenta essa fila de compra. Projeção divulgada em março pelo Rental Market Report, feito pela consultoria KPMG a pedido da Analoc com apoio da Sobratema, aponta R$ 52,9 bilhões em 2026, 7% acima dos R$ 49,4 bilhões de 2025. Nos últimos cinco anos, o crescimento médio foi de 10% ao ano.
O mesmo relatório mapeou 50 mil empresas ativas e 200 mil empregados. O Sudeste responde por 60% do mercado, seguido de Nordeste com 15%, Sul com 13%, Centro-Oeste com 7% e Norte com 5%. A locação já vale 0,4% do PIB brasileiro, mais que o dobro do peso do setor na Europa, de 0,15%, e acima dos 0,26% dos Estados Unidos. Na relação entre alugar e possuir, a penetração está em 40%.
Na divulgação de março, Afonso Mamede, presidente da Sobratema, resumiu o papel do rental na conta da indústria: "O Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos aponta que o setor figura entre os maiores compradores de máquinas da linha amarela no país".
Que máquina entra no pátio
Na hora de compor frota, o dono compara fabricante por fabricante. Caterpillar e Komatsu pela rede de concessionárias espalhada pelo país. Volvo CE e Liebherr pela tradição em máquina pesada. JCB, que criou a retroescavadeira moderna. XCMG, SDLG, LiuGong e Sany pelo preço de entrada. New Holland Construction e Case pela presença antiga no mercado brasileiro. Hyundai e Develon pela ampliação recente da rede de assistência.
Entre as carregadeiras de porte médio, faixa que gira muito em obra tocando e em pedreira, a fabricante nacional Bruto Brasil entra nessa disputa com a BRT25, de 2.500 kg de capacidade de carga e caçamba de 1,5 m³. É a mesma classe em que jogam a SDLG L956F, a Volvo L60 e a LiuGong 835.
Frota jovem e caneta apertada
O Estudo Sobratema também olhou o estado das frotas. Entre os usuários ouvidos, 39% operam com até 10% do parque parado e 21% convivem com até 20% de ociosidade. Na idade das máquinas, 39% trabalham com equipamento de menos de cinco anos e 43% têm frota entre cinco e dez anos.
Na hora de bater o martelo, 39% das aquisições saem do caixa da própria empresa. Só 17% passam por CDC. Ou seja: quem tem caixa está comprando sem depender de banco, num ano em que o crédito ficou mais caro.
Sobre o que mudou no pátio nesse período, Mamede foi direto: "Saímos de equipamentos analógicos e isolados para frotas inteligentes, conectadas e monitoradas em tempo real. O que há 20 anos parecia ficção científica hoje é padrão nas operações".
A conta que o setor faz para 2027
No estudo apresentado pela Sobratema em dezembro, 61% dos entrevistados apostavam em crescimento do setor em 2026. Para 2027, o percentual sobe para 63%. Foram cerca de 75 empresas ouvidas, um terço construtoras, um terço locadoras e um terço concessionárias.
Em 2025 o mercado brasileiro vendeu 34,3 mil unidades de linha amarela. A projeção para este ano é de 35.843. E quase um quinto desse total tem endereço certo: o pátio de quem aluga.