A Armac quer dobrar de tamanho. A locadora de máquinas pesadas que se apresenta como a "locadora do agro" fechou 2025 com R$ 2 bilhões de faturamento e agora fala em saltar de 18 para mais de 30 lojas até o fim de 2026.
O plano foi noticiado em 25 de agosto pelo Investidor10. E chega logo depois do melhor trimestre já registrado pela operação de locação e serviços da companhia.
Locação e serviços batem recorde com margem de 54,2%
No segundo trimestre de 2026, a receita bruta consolidada da Armac somou R$ 586,2 milhões, alta de 19,3% sobre o mesmo período de 2025. O que sobrou da locação e dos serviços antes de descontar juros, impostos e a depreciação das máquinas chegou a R$ 217 milhões, recorde dessa operação.
A margem subiu de 42,8% para 54,2% em um ano, avanço de 11,4 pontos percentuais. No resultado final, a companhia saiu do vermelho e registrou lucro líquido de R$ 7,7 milhões, ante prejuízo de R$ 6,7 milhões no mesmo trimestre de 2025.
Lojas novas apontam para MT, GO, PR e SP
A Armac encerrou o trimestre com mais de 12 mil ativos entre linha amarela, caminhões e empilhadeiras, o que o diretor de negócios Mairon Karr descreve como a maior frota de máquinas do Brasil. Só no primeiro trimestre de 2026 foram mais de mil equipamentos incorporados.
As unidades novas estão previstas para Lucas do Rio Verde e Cuiabá, em Mato Grosso, Rio Verde, em Goiás, Cascavel, no Paraná, além de Presidente Prudente e São José do Rio Preto, em São Paulo. A empresa também avalia abrir no Pará.
Na frente dedicada ao agro são mais de 500 máquinas e cerca de 450 funcionários. Em maio, Karr disse ao AgFeed que a receita do agro cresceu 28% em 2025 e, segundo a publicação, o segmento responde por cerca de 30% do faturamento.
Compra de frota dessa escala mede a demanda
Uma empresa não põe 12 mil máquinas em campo e promete dobrar sem enxergar serviço contratado do outro lado. A compra de frota de uma locadora desse porte é um termômetro direto de para onde vai a demanda por movimentação de terra e de carga no país.
E o mercado em que a Armac abastece o pátio é o mesmo do empreiteiro. A New Holland Construction concentra em Contagem, em Minas Gerais, a fábrica que responde por toda a produção mundial de motoniveladoras da marca.
A LiuGong, fundada em 1958, montou a primeira carregadeira de rodas moderna da China em 1966 e hoje é a maior fabricante do mundo nessa linha. Já a Bruto Brasil trabalha o custo-benefício nacional em máquinas de pequeno e médio porte, faixa que resolve pátio de material de construção, granja e frente de serviço em fazenda.
Venda de usado quase dobra e devolve máquina ao mercado
Girar frota nessa velocidade tem outro efeito. A receita da Armac com venda de equipamento usado foi de R$ 145,2 milhões no trimestre, contra R$ 75 milhões um ano antes, alta de 93,8%.
Máquina que sai de uma frota desse tamanho volta ao mercado como seminovo. Isso mexe na oferta e no preço do usado para quem compra, sobretudo em serviços de terraplanagem, onde o equipamento roda pesado e a vida útil pesa na negociação.
A Armac atende fazendas, usinas, portos e terminais, com contratos que vão do equipamento seco à operação completa, com operador, manutenção e gestão de frota. Louis Dreyfus Company e FS Bioenergia estão entre os clientes citados pela companhia.
Nenhum desses contratos existe sem obra, safra e carga andando. O ritmo com que a Armac renova e amplia a própria frota vira, na prática, uma medida de quanta terra e quanta carga o Brasil espera mover nos próximos meses.