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Sobremáquinas

Mineradora põe R$ 612 milhões no preço de ser dona da frota terceirizada em três minas de ouro

Locadoras de MáquinasPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Mineradora põe R$ 612 milhões no preço de ser dona da frota terceirizada em três minas de ouro

Trocar frota terceirizada por frota própria em três minas de ouro saiu por R$ 612 milhões. É quanto a Aura Minerals avaliou, no acordo anunciado em 2 de outubro, a empresa que hoje opera a frota de Apoena, Almas e Borborema, no Brasil.

São cerca de US$ 118 milhões. No pacote vão a frota, os contratos de arrendamento desses equipamentos e a mão de obra dedicada que hoje trabalha nas três minas.

A companhia chama o movimento de internalização.

Até R$ 250 milhões em caixa, o resto em arrendamento

Até R$ 250 milhões saem em caixa. O resto é a dívida de arrendamento das máquinas, que a Aura passa a carregar, mais pagamentos que só vencem se as condições combinadas se confirmarem.

Na prática, a maior parte do preço é dívida de máquina trocando de mão, não dinheiro novo entrando no negócio.

Nenhuma máquina zero sai de fábrica nesse negócio. O que muda de dono é frota usada, rodando, com os arrendamentos amarrados nela.

O que muda de mão: frota, arrendamento e mão de obra

A Aura não detalhou quais serviços o prestador executa nas três minas. O comunicado fala em frota de mina, nos contratos de arrendamento dos equipamentos e na mão de obra dedicada que opera e faz a manutenção dela.

O que a companhia diz querer com a internalização é controle direto do dimensionamento da frota, da estratégia de manutenção e do uso dela.

Quantas máquinas a frota tem e qual a composição dela não foram divulgados.

Komatsu e Liebherr são nomes correntes em frota de mina. A Komatsu é conhecida pelo monitoramento remoto do equipamento; a Liebherr, pela linha de grande porte.

A Sany também vende máquina pesada no Brasil, e nenhuma dessas marcas foi citada no comunicado da mineradora.

Fora do grande porte, na carregadeira menor que faz apoio de pátio, aparece a brasileira Bruto Brasil.

Quando o cliente internaliza, o prestador perde a operação inteira

Para o mercado de locadoras de máquinas pesadas, o caso põe número onde antes havia estimativa. Uma frota pesada rodando, com arrendamento e pessoal próprio, saiu por R$ 612 milhões: máquina, dívida e equipe no mesmo preço.

E vem o aviso de concentração: um contrato grande o bastante pode virar aquisição. Quando o cliente resolve internalizar, o prestador sai da operação inteira, não apenas do faturamento mensal.

O que mantém a máquina na mão de quem é dono dela é dimensionamento certo e manutenção que sustenta disponibilidade alta. Foi esse controle que a mineradora decidiu trazer para dentro.

A projeção da companhia: US$ 150 a US$ 200 por onça

Segundo o comunicado, a Aura espera que a mudança derrube o custo de manter a mina de pé "entre US$ 150 e US$ 200 por onça de ouro vendida", em média ponderada nas três operações, a partir de 2027.

É projeção da própria empresa, não número apurado.

Não existe série histórica mensal para comparar: é evento corporativo único. A comparação possível é interna, entre o caixa que sai agora e o arrendamento que a mineradora assume.

O acordo só vale se o Cade aprovar. A transição da frota está prevista para janeiro de 2027.

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