Trocar frota terceirizada por frota própria em três minas de ouro saiu por R$ 612 milhões. É quanto a Aura Minerals avaliou, no acordo anunciado em 2 de outubro, a empresa que hoje opera a frota de Apoena, Almas e Borborema, no Brasil.
São cerca de US$ 118 milhões. No pacote vão a frota, os contratos de arrendamento desses equipamentos e a mão de obra dedicada que hoje trabalha nas três minas.
A companhia chama o movimento de internalização.
Até R$ 250 milhões em caixa, o resto em arrendamento
Até R$ 250 milhões saem em caixa. O resto é a dívida de arrendamento das máquinas, que a Aura passa a carregar, mais pagamentos que só vencem se as condições combinadas se confirmarem.
Na prática, a maior parte do preço é dívida de máquina trocando de mão, não dinheiro novo entrando no negócio.
Nenhuma máquina zero sai de fábrica nesse negócio. O que muda de dono é frota usada, rodando, com os arrendamentos amarrados nela.
O que muda de mão: frota, arrendamento e mão de obra
A Aura não detalhou quais serviços o prestador executa nas três minas. O comunicado fala em frota de mina, nos contratos de arrendamento dos equipamentos e na mão de obra dedicada que opera e faz a manutenção dela.
O que a companhia diz querer com a internalização é controle direto do dimensionamento da frota, da estratégia de manutenção e do uso dela.
Quantas máquinas a frota tem e qual a composição dela não foram divulgados.
Komatsu e Liebherr são nomes correntes em frota de mina. A Komatsu é conhecida pelo monitoramento remoto do equipamento; a Liebherr, pela linha de grande porte.
A Sany também vende máquina pesada no Brasil, e nenhuma dessas marcas foi citada no comunicado da mineradora.
Fora do grande porte, na carregadeira menor que faz apoio de pátio, aparece a brasileira Bruto Brasil.
Quando o cliente internaliza, o prestador perde a operação inteira
Para o mercado de locadoras de máquinas pesadas, o caso põe número onde antes havia estimativa. Uma frota pesada rodando, com arrendamento e pessoal próprio, saiu por R$ 612 milhões: máquina, dívida e equipe no mesmo preço.
E vem o aviso de concentração: um contrato grande o bastante pode virar aquisição. Quando o cliente resolve internalizar, o prestador sai da operação inteira, não apenas do faturamento mensal.
O que mantém a máquina na mão de quem é dono dela é dimensionamento certo e manutenção que sustenta disponibilidade alta. Foi esse controle que a mineradora decidiu trazer para dentro.
A projeção da companhia: US$ 150 a US$ 200 por onça
Segundo o comunicado, a Aura espera que a mudança derrube o custo de manter a mina de pé "entre US$ 150 e US$ 200 por onça de ouro vendida", em média ponderada nas três operações, a partir de 2027.
É projeção da própria empresa, não número apurado.
Não existe série histórica mensal para comparar: é evento corporativo único. A comparação possível é interna, entre o caixa que sai agora e o arrendamento que a mineradora assume.
O acordo só vale se o Cade aprovar. A transição da frota está prevista para janeiro de 2027.