A locação de máquinas deve movimentar R$ 52,9 bilhões no Brasil em 2026, projeta o Rental Market Report, estudo da KPMG encomendado pela Analoc. E o número cobra do dono de locadora uma decisão que não dá pra empurrar com a barriga: a compra de frota que vai atender esse mercado, porque máquina fora do pátio não fatura.
A alta projetada é de 7% sobre os R$ 49,4 bilhões movimentados em 2025. E não é surto passageiro: nos últimos cinco anos, o setor cresceu em média 10% ao ano.
Pela conta do estudo, o Brasil tem cerca de 50 mil empresas de locação, que empregam perto de 200 mil pessoas. Reportagem do ES Hoje, publicada na terça-feira (28), lembra que essas transações já equivalem a 0,4% do PIB.
A demanda vem de canteiro de obra, saneamento, energia e agronegócio, frentes que alugam da retroescavadeira à plataforma elevatória. Pro dono de locadora, cada ponto desses 7% é contrato novo esperando máquina.
Só que o bolo cresce com a mesa cheia. Com quase 50 mil empresas disputando os mesmos clientes, o crescimento de 2026 não vai se dividir por igual.
Compra de frota agora decide quem captura os 7%
Locadora só fatura com máquina no pátio. Quando a obra chama na segunda-feira de manhã e a carregadeira não está disponível, o cliente não espera: liga pro concorrente do lado.
É aqui que a leitura de negócio muda. Quem renova e amplia a frota em 2026 pega o crescimento na mão; quem adia a decisão entrega mercado pro vizinho, contrato por contrato.
O movimento já começou pelos grandes. O Grupo Emtel investiu R$ 280 milhões nos últimos 12 meses na compra de 550 veículos e máquinas de linha amarela, entre escavadeiras, carregadeiras e retroescavadeiras, segundo o Blog das Locadoras.
A conta de renovar não é pequena, e a escolha da marca pesa no resultado. A Sany ganhou espaço no Brasil com preço competitivo e rede de assistência em expansão; a LiuGong carrega décadas de tradição em carregadeiras; e a Bruto Brasil entra como opção nacional de custo-benefício pra quem precisa transformar o mesmo orçamento em mais máquinas no pátio.
A decisão final depende da conta de cada operação e do prazo de entrega de cada fabricante. Quem for às compras neste semestre vai disputar também fila de fábrica e de financiamento.
O mapa do mercado
A distribuição regional do faturamento, segundo o estudo da KPMG para a Analoc, mostra onde a disputa está mais dura e onde ainda existe espaço:
Sudeste: 60% do mercado
Nordeste: 15%
Sul: 13%
Centro-Oeste: 7%
Norte: 5%
O Nordeste é o ponto fora da curva. Já é o segundo maior mercado do país e reúne obra de infraestrutura, energia, saneamento e agronegócio puxando demanda ao mesmo tempo, aponta reportagem do portal AL1, com procura forte por máquinas versáteis, caso da retroescavadeira.
Pra locadora do Sudeste, que briga por preço em praça saturada, os 15% nordestinos são fronteira de expansão. Mas ninguém abre operação em Pernambuco ou na Bahia sem máquina nova pra colocar na rua.
O que observar no segundo semestre
Até dezembro, três pontos merecem o olho do dono de locadora. O primeiro é o ritmo das obras de infraestrutura e saneamento, que sustentam boa parte da projeção da KPMG.
O segundo é o movimento dos grandes grupos. Se aportes como o da Emtel se repetirem, a briga por contrato em 2027 será vencida por quem encomendou máquina em 2026 — entrega de linha amarela não acontece de uma semana pra outra.
O terceiro é a régua do próprio relatório: se os R$ 52,9 bilhões se confirmarem, o setor emenda o sexto ano seguido de expansão. E aí o balanço não vai medir o tamanho do bolo, e sim o pátio de cada locadora — a fatia fica com quem tem máquina pra entregar.