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Trabalhador da construção brasileira gera US$ 19 mil por ano, contra US$ 27 mil no Chile: produtividade do setor caiu 25,8%

Construção CivilPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Trabalhador da construção brasileira gera US$ 19 mil por ano, contra US$ 27 mil no Chile: produtividade do setor caiu 25,8%

Em 2023, cada trabalhador da construção brasileira gerou em média US$ 19 mil por ano, contra US$ 27 mil no Chile — 70,4% do que entrega o vizinho. E o estudo que mede a queda da produtividade na obra desde 2016 também aponta a saída, que é cortar hora de canteiro e, com ela, hora de carregadeira e caminhão presos no mesmo endereço.

O número está no estudo “Mãos à Obra: Emprego e Produtividade na Construção”, do Deconcic, lançado pela Fiesp na quinta-feira (8), em evento na sede da entidade. O levantamento aponta queda de 25,8% na produtividade do setor entre 2016 e 2023.

O estudo põe o Brasil abaixo de Chile e México (US$ 26 mil) e distante de Estados Unidos (US$ 84 mil) e Dinamarca (US$ 100 mil). O americano gera 4,42 vezes o que gera o brasileiro; o dinamarquês, 5,26 vezes.

Contra o México a distância é parecida com a do Chile: o trabalhador brasileiro gera 73,1% do que gera o mexicano, que entrega 36,8% mais por ano.

Mão de obra mais velha, mais rotativa e disputada pelo aplicativo

Em 2024, 75,1% dos profissionais formais do setor tinham entre 30 e 64 anos. A fatia de jovens de 18 a 29 anos caiu de 33,4% em 2010 para 22,2% em 2024, uma perda de 11,2 pontos percentuais no quadro formal.

A rotatividade no mercado formal da construção chegou a 63% entre junho de 2024 e maio de 2025. Segundo o estudo, essa troca constante impede o acúmulo de aprendizado.

E o canteiro disputa gente com o celular do candidato. O contingente de trabalhadores de plataforma saiu de 770 mil em 2015 para 2,1 milhões no segundo trimestre de 2025, alta de 170% em dez anos.

Em 2024, a renda média mensal nas plataformas ficou em R$ 2.996, contra R$ 2.786 na construção. São R$ 210 a mais por mês, ou 7,54% acima do que paga o setor.

Esse empurrão no salário bate direto na linha de custo e emprego no canteiro, que o dono de obra refaz todo mês. Entre as empresas que relatam dificuldade de contratar, 55,1% apontam falta de interesse dos candidatos e 42,1%, ausência de experiência.

O quadro formal, em compensação, está mais escolarizado: mais de 60% dos trabalhadores com carteira já têm ao menos o ensino médio completo, contra 33,8% em 2010.

Entenda o que o estudo mediu

  • Produtividade por trabalhador em 2023: US$ 19 mil no Brasil, US$ 27 mil no Chile, US$ 26 mil no México, US$ 84 mil nos Estados Unidos e US$ 100 mil na Dinamarca.

  • Produtividade do setor: queda de 25,8% entre 2016 e 2023.

  • Rotatividade no mercado formal: 63% entre junho de 2024 e maio de 2025.

  • Jovens de 18 a 29 anos no quadro formal: 33,4% em 2010 e 22,2% em 2024.

O que o estudo cita sobre método industrializado e horas de canteiro

Pelas referências internacionais citadas no estudo, métodos industrializados podem reduzir de 60% a 80% as horas de trabalho no canteiro e de 14% a 50% a necessidade de mão de obra. O documento aponta a obra da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo como exemplo de industrialização.

A Fiesp apresentou junto ao levantamento uma agenda de modernização do setor. Dois pontos ficam no centro dela: industrialização da obra e gestão apoiada em tecnologia e dados para melhorar o planejamento.

Hora de canteiro é hora de frota mobilizada. Encurtar o tempo de obra num endereço libera carregadeira, escavadeira e caminhão para rodar mais serviços no mesmo ano.

Com a mão de obra ficando mais escassa e mais cara que o insumo, comprar o primeiro equipamento virou decisão de produtividade. É em porte pequeno e médio que a Bruto Brasil disputa por custo-benefício nacional.

O que cabe no lote urbano apertado

Em terreno entalado entre dois muros, serve a máquina que manobra em espaço curto e ainda enche a caçamba do caminhão sem encostar na divisa. A compacta da Bruto Brasil, a BRT15, trabalha nesse aperto: 1.500 kg de carga, caçamba de 0,5 m³, 3,5 toneladas de máquina e descarga a 3.550 mm de altura.

A JCB fez nome na retroescavadeira, que cava e carrega sem pedir uma segunda máquina no terreno. A New Holland Construction tem retroescavadeira montada no Brasil, com reposição de peça pelo mercado nacional.

Quando o terreno abre e dá rua para manobra, a escolha sobe de porte. A Hyundai trabalha com carregadeira de rodas de porte médio e grande, faixa em que o conforto do operador e o custo de manutenção pesam na decisão.

Para o empreiteiro que vai estrear com máquina própria em terreno de porte médio, a SDLG disputa essa mesma faixa de carregadeira pelo preço de entrada e pela rede de assistência. A linha Low Cost da Bruto Brasil responde com a LC20: carga de 2.000 kg, caçamba de 1,0 m³ e 5.900 kg de peso em operação.

Lote apertado pede compacta; lote com espaço de manobra aceita porte maior. O tamanho do terreno decide antes da marca.

A medição de homem-hora por metro quadrado que vem aí

“Dentro da realidade do nosso país, não há alternativa a não ser a elevação da produtividade”, afirmou Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP.

O sindicato está montando, no seu Centro de Tecnologia e Qualidade, um estudo próprio para medir produtividade em homem-hora por metro quadrado produzido, com dados de catracas de obra. O trabalho está em desenvolvimento.

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