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DNIT assina contrato de R$ 104,8 milhões só para conservar 59,1 km da BR-471 no Rio Grande do Sul até 2030

Construção CivilPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
DNIT assina contrato de R$ 104,8 milhões só para conservar 59,1 km da BR-471 no Rio Grande do Sul até 2030

São três anos e meio de manutenção contratada num trecho da BR-471, no Rio Grande do Sul, com vigência de 8 de outubro de 2026 até 4 de abril de 2030. O contrato do DNIT com a Neovia Infraestrutura Rodoviária Ltda vale R$ 104.802.714,10 e cobre 59,10 km de pista.

O extrato saiu no Diário Oficial da União de 13 de outubro de 2026, Edição 193, Seção 3, página 137. O trecho vai do km 133,700 ao km 192,800, e o prazo somado dá 1.274 dias.

Manutenção, não obra nova

O objeto é execução de serviços de manutenção rodoviária referentes ao Plano Anual de Trabalho e Orçamento, o P.A.T.O., com que o DNIT custeia a conservação corrente das federais. O dinheiro vai para pista que já está aberta ao tráfego.

O contratante é a Superintendência Regional do DNIT no Rio Grande do Sul, a UASG 393012. O fundamento legal apontado no extrato é a Lei 14.133/2021, artigo 28, inciso I, a atual lei de licitações e contratos.

Na BR-471 a obra ainda não começou. O que saiu até agora foi a assinatura e a publicação do extrato, com prazo até 2030 para a empreiteira cumprir o combinado.

R$ 1,77 milhão por quilômetro

Puxando o valor pela extensão, o contrato sai a R$ 1.773.311,58 por quilômetro. Na média dos 41,9 meses de vigência, dá cerca de R$ 2,5 milhões por mês.

A licitação que gerou o contrato vem identificada como Pregão nº 90082/2025, dentro do processo 50610.002175/2024-27. A data em que a sessão correu não consta do extrato.

Peça e assistência técnica

Nada no extrato trata de equipamento, e exigência de frota não aparece no documento. Ainda assim, manter 59,10 km por três anos e meio é serviço que só anda com máquina disponível, e disponibilidade começa no estoque de peça.

A Develon, nome que a antiga Doosan passou a usar, abriu em Jundiaí o primeiro centro de distribuição de peças dela na América do Sul. A razão de existir de um galpão desses é encurtar o intervalo entre o pedido do item e a máquina de volta ao serviço.

A Hyundai concluiu em 2013 a obra da sua fábrica em Itatiaia, no Rio de Janeiro, projetada para 3.000 máquinas e para servir de polo de produção na América do Sul e Central. Da linha montada ali fazem parte escavadeiras, carregadeiras de rodas e retroescavadeiras.

A BRT30, uma das carregadeiras da Bruto Brasil, entrega 125 HP com motor Deutz Weichai de seis cilindros. Potência nessa faixa é o que decide se a máquina vence rampa e material encharcado sem perder rotação, critério que volta sempre na cobertura de construção civil.

O que ainda falta

O extrato não diz quanto sai em cada ano, nem quando a primeira ordem de serviço entra em campo. Também não informa quantas máquinas ou quantas frentes a Neovia vai colocar nos 59,10 km.

O que falta é a ordem de serviço, a entrada da empreiteira no trecho e a primeira medição. Nenhum desses três passos tem data no extrato.

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