A construção brasileira fechou agosto usando 65% da capacidade operacional instalada, um ponto percentual a menos que em julho. Ainda assim, o setor rodou acima da média histórica do mês, que é de 63%.
Para quem toca obra, o recado não é de praça vazia. É de praça em que menos gente está disposta a entrar com máquina nova.
Os números saíram da sondagem que a CNI divulgou em 23 de setembro, em parceria com a CBIC. A pesquisa ouviu 313 empresas entre 1º e 11 de setembro.
A confiança do empresário da construção recuou 1,7 ponto em setembro, para 45,5. É o 21º mês seguido abaixo da linha dos 50, o patamar que separa confiança de falta de confiança.
O índice de condições atuais, que mede como o dono enxerga o presente do negócio, caiu 2,6 pontos e parou em 41,3.
A distância entre as duas pontas da pesquisa conta a história. O empresário enxerga o presente pior do que aposta no futuro: 41,3 pontos para hoje contra 47,6 de expectativa.
Atividade em marcha menor e caneta apertada no investimento
O índice de evolução do nível de atividade marcou 44,7 pontos em agosto, contra 47,3 em julho. É canteiro rodando em marcha menor, com menos serviço entrando do que saindo.
O emprego seguiu junto. O índice de número de empregados caiu de 48,3 para 45,8 no mesmo mês, segundo a CNI.
Já a intenção de investir, medida em setembro, recuou 2,7 pontos e ficou em 39,7. Empresa com obra contratada e caixa no lugar atravessa esse período como compradora.
A conta é outra para quem está do lado de quem constrói. Uma obra de terraplanagem abrindo acesso a distrito industrial chega num momento em que menos concorrente está disposto a entrar com equipamento novo.
Os índices da sondagem de setembro
Confiança do empresário: 45,5 pontos, queda de 1,7 ponto no mês
Condições atuais: 41,3 pontos, recuo de 2,6 pontos
Expectativas: 47,6 pontos, queda de 1,3 ponto
Intenção de investir: 39,7 pontos, queda de 2,7 pontos
A amostra teve 120 empresas pequenas, 128 médias e 65 grandes.
Vinte e um meses seguidos abaixo de 50 é ciclo longo, não tropeço de um mês. Nenhum dos quatro índices de setembro cruzou essa linha.
A sondagem é mensal. Em outubro sai a leitura que mostra se o uso da capacidade parou nos 65% ou continuou descendo.