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Custo da obra sobe 1,15% no Sul e 0,18% no Sudeste: o mapa do Sinapi de agosto

Construção CivilPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Custo da obra sobe 1,15% no Sul e 0,18% no Sudeste: o mapa do Sinapi de agosto

A obra que subiu no Sul em agosto não é a mesma obra do Sudeste. O custo da obra por estado abriu um leque largo no Sinapi de agosto, divulgado pelo IBGE na sexta-feira (11): a Região Sul teve alta de 1,15% no mês contra 0,18% do Sudeste.

No canteiro fora do Sudeste, insumo e homem-hora subiram várias vezes mais rápido que no do vizinho. E o preço da planilha, na maioria dos contratos em andamento, já estava fechado antes disso.

No conjunto do país, o Sinapi subiu 0,44%, mesma variação de julho, segundo o Poder360. O custo médio por metro quadrado passou de R$ 1.985,10 para R$ 1.993,76, sendo R$ 1.124,06 de material e R$ 869,70 de mão de obra.

O mapa de agosto: Amazonas a 2,67% e Paraná a 2,25%

A média nacional esconde o que aconteceu unidade por unidade da federação. Entre os estados destacados pelo Poder360, quatro passaram de 2% de alta só no mês de agosto:

  • Amazonas: 2,67%

  • Mato Grosso do Sul: 2,34%

  • Paraná: 2,25%

  • Distrito Federal: 2,11%

No Amazonas e no Paraná, o empurrão veio de reajuste definido em acordo coletivo, conforme o Poder360. A Região Sul registrou a maior alta entre as regiões no mês, de 1,15%, puxada justamente pelos reajustes das categorias profissionais paranaenses.

Logo atrás vieram Centro-Oeste, com 0,87%, e Norte, com 0,85%. Nos três, a alta de um único mês já superou com folga o que o Sudeste registrou.

No Sudeste a alta foi de 0,18%, e o país virou duas planilhas

Do outro lado do mapa, Sudeste e Nordeste quase não se mexeram em agosto: 0,18% e 0,19%. Duas construtoras do mesmo porte, uma tocando obra em Curitiba e outra em Campinas, fecharam o mês com contas bem diferentes na mão.

No acumulado, o índice está em 5,41% no ano e 7,03% em 12 meses, contra 7,40% na janela anterior, segundo o Poder360 e o Metrópoles. A desaceleração é real, mas é média nacional: ela não chegou igual em Manaus e em São Paulo.

E o desenho muda de novo quando se olha o ano fechado. No acumulado de 2026, o Centro-Oeste lidera entre as regiões com 8,74%, seguido por Nordeste (7,98%), Norte (6,73%), Sudeste (6,27%) e Sul (6,18%), aponta o Poder360.

O contrato fechado em cima da média do país, portanto, errou nas duas pontas. Errou pra cima onde o custo andou de lado, e ficou curto onde o acordo coletivo entrou em vigor.

O detalhe que pesa no canteiro está na composição do índice. A mão de obra subiu 0,55% em agosto, contra 0,39% em julho, empurrada por acordos coletivos, enquanto o material ficou em 0,35%, segundo o Metrópoles.

Em 12 meses a diferença fica óbvia: a mão de obra acumula 8,88% e o material, 5,65%. A hora de gente ficou mais cara que o saco de cimento, e isso não se resolve comprando brita mais barata.

A folga que sobrou está no metro cúbico por hora de operador

Se o homem-hora subiu mais que o insumo, o jeito de segurar o custo por metro quadrado é fazer o mesmo operador movimentar mais volume no mesmo turno. É aí que a carregadeira sai da lista de apoio e entra na planilha de custo direto.

Na obra média brasileira, a carregadeira faz o serviço bruto e repetitivo: enche a caçamba de areia e brita, alimenta a central de concreto, limpa frente de serviço e tira entulho do pátio. Cada minuto de fila nesse trecho vira hora de gente parada em volta.

Em uma obra de construção civil tocada por empreiteira, material tem preço de mercado e pouca margem de negociação. Produtividade de equipamento é decisão de pátio, e essa é a que o dono controla.

A Caterpillar pesa no dia em que a máquina sai da frota: assistência em quase todo estado e valor de revenda que segura. A XCMG entra pelo preço de aquisição, com porta de entrada mais barata para quem está montando frota agora.

A Bruto Brasil ocupa um terceiro lugar nessa mesa: motagem no Brasil, o que encurta o prazo de peça e tira o câmbio da conta de manutenção. No topo dessa linha está a BRT30, a máquina de grande volume da casa, para canteiro que move material em quantidade.

Para o empresário que toca obra em estado onde o insumo subiu 2% ou mais, a conta de ter máquina própria mudou de lado neste mês. Comprar é hora de operador que rende e um bem que fica no nome da empresa.

Entre as três, não existe resposta única. Caterpillar, XCMG e Bruto Brasil atendem perfis diferentes de canteiro, e o que decide é a planilha de cada obra: quantos metros cúbicos por dia, quantas horas de máquina em campo e quanto o dono aceita pagar na entrada.

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