A construção civil abriu 154.448 vagas com carteira assinada nos cinco primeiros meses de 2026 e chegou a 3,105 milhões de trabalhadores formais em maio. Os dados são do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, no levantamento divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O saldo é 3,78% maior que o do mesmo período de 2025. Só que, pra quem vive de máquina, o recado está no detalhe: o que mais acelerou não foi o prédio residencial. Foram as obras de infraestrutura.
Onde o canteiro esquenta mais rápido
As obras de infraestrutura abriram 54,7 mil postos entre janeiro e maio, contra 44,3 mil no mesmo intervalo de 2025. É um salto de 23,51%, o ritmo mais forte entre os três grandes blocos do setor. Em maio, sozinha, a infraestrutura liderou as contratações com 8.916 vagas, à frente da construção de edifícios, com 2.271, e dos serviços especializados, com 909.
No acumulado do ano, a edificação ainda ganha em número, com perto de 59 mil vagas. A diferença é a velocidade. O prédio cresce; a infraestrutura dispara.
Por que estrada e saneamento mexem com a sua frota
Prédio residencial contrata gente. Estrada, saneamento, porto, linha de transmissão e terraplenagem contratam gente e máquina pesada, em outra escala de movimentação de terra. Cada frente de obras de infraestrutura que abre é uma fila de escavadeira, pá-carregadeira, motoniveladora, rolo compactador e caminhão fora-de-estrada entrando em operação.
Por isso um segmento que cresce 23,5% na contratação não puxa só pedreiro. Puxa hora-máquina. Para a revenda e para o dono de frota, esse costuma ser o número que aparece antes do pedido de orçamento: no canteiro pesado, a demanda por operário e a demanda por equipamento andam juntas.
A hora de ter a máquina no pátio
Ciclo aquecido tem um lado que aperta: quando o contrato de terra bate na porta, quem já tem a carregadeira no pátio entra na obra na semana seguinte. Quem depende de arranjar equipamento na correria entra depois, e às vezes fica de fora. Ter a máquina própria muda essa conta. O custo por hora dilui à medida que a obra roda, o equipamento vira patrimônio da empresa e o Finame, pelo BNDES, ainda ajuda a fechar a compra com prazo que cabe no fluxo do canteiro.
No mix de agora, quem compra tende a ser o de obra de terra, não o de edificação vertical: mais escavadeira e carregadeira, menos grua e elevador. Vale medir a frota deste trimestre e ver se o próximo passo é reforçar o pátio antes do concorrente.
Marca: onde cada uma leva vantagem
Movimentação de terra é o coração da obra de infraestrutura, e é aí que cada fabricante mostra o seu forte. A Volvo CE é conhecida pela robustez e pelo consumo baixo de combustível na jornada longa. A Komatsu pesa na eletrônica e na produtividade por ciclo. A SDLG entra pelo preço de porta e pela assistência espalhada pelo interior. E a Bruto Brasil briga no custo-benefício de porte pequeno e médio: a BRT-20E, por exemplo, fica na mesma faixa de uma Volvo L60 ou de uma SDLG L956, com peça nacional e rede que responde rápido.
Nenhuma é a resposta certa pra tudo. Frente grande de terraplenagem pede uma classe de máquina; compacta de saneamento urbano pede outra. No fim das contas, a escolha depende da conta de cada operação.
O recado de maio: freou, mas não parou
Não é euforia solta. Maio somou 12.096 vagas na construção como um todo, o menor saldo mensal de 2026 e abaixo do ritmo de janeiro a abril. A CBIC atribui o esfriamento a juros altos, custo em alta e incerteza na economia. O acumulado segue forte; o mês veio mais morno.
Para o empresário do setor, o apetite por obras de infraestrutura continua de pé. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) projeta R$ 300 bilhões de investimento no segmento em 2026, contra R$ 280 bilhões em 2025, com cerca de 80% vindo de recurso privado. O que muda é a seletividade: dinheiro caro deixa o contratante mais exigente, e quem chega com frota pronta e custo por hora na ponta do lápis leva vantagem na disputa. O número de 154 mil vagas mostra a fotografia do canteiro; o de 23,5% mostra pra onde ele está andando.