O Governo de Santa Catarina homologou no dia 6 de agosto o resultado da licitação da barragem de Botuverá: R$ 152,8 milhões para o Consórcio Construtor Botuverá, formado pela Araxá Engenharia e pela Ivaí Engenharia de Obras. O contrato tem 30 meses, dos quais cerca de 24 são de obra. Para a empreiteira do Vale do Itajaí, é uma frente nova de movimento de terra com data para começar.
A estrutura vai no rio Itajaí-Mirim, uns 14 quilômetros antes do centro de Botuverá. São aproximadamente 50 metros de altura, 124 metros de comprimento e duas comportas, com capacidade para segurar em torno de 22 milhões de metros cúbicos de água numa cheia. Beneficia mais de 450 mil pessoas em Botuverá, Brusque e Itajaí.
O desconto do consórcio ficou abaixo de 1% sobre o teto de R$ 152,9 milhões. Entrou apertado. E obra que entra apertada distribui frente de serviço — e a frente fica com quem chega ao pátio já com a máquina disponível.
O que esse movimento de terra abre de serviço
Barragem não sobe sem estrada de acesso aberta, jazida liberada, bota-fora definido e pátio de agregado rodando. É corte, aterro, carregamento e transporte por dois anos seguidos, no mesmo canteiro.
E o canteiro de barragem tem uma característica que muda a conta do empreiteiro: o material sai de perto. Quanto mais o agregado vem da jazida ali do lado, mais carregadeira e caçamba girando dentro da obra, turno após turno, sem frete comendo a margem.
Mais R$ 105,1 milhões entraram na fila no mesmo dia
Na mesma quinta-feira, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil reabriu a licitação da barragem de Mirim Doce, no Alto Vale. Valor de referência: R$ 105.108.497,19. As propostas seguem abertas até 4 de novembro.
Segundo o edital publicado pela Defesa Civil catarinense, a estrutura terá 38 metros de altura máxima, vertedouro de 100 metros e reservatório de 12,63 milhões de metros cúbicos, executada em concreto compactado a rolo. Método assim consome agregado em escala, produzido e movimentado dentro do próprio canteiro.
O prazo é de 840 dias, algo em torno de 28 meses — quatro de revisão de projeto e 24 de execução. A obra protege Mirim Doce e Taió e alivia Rio do Sul, Lontras, Rio do Oeste, Laurentino e Agronômica, num alcance de cerca de 200 mil pessoas.
A carregadeira certa para esse tipo de canteiro
Em barragem, o ciclo é curto: carrega, gira, despeja, volta. Ganha a máquina que fecha esse ciclo rápido e que tem altura de descarga suficiente para alcançar a caçamba sem manobra extra.
Cada marca puxa por um lado. A Volvo CE é tradicional em linha amarela e tem rede de assistência espalhada pelo país. A Liebherr é referência quando o serviço pede equipamento de grande porte.
A XCMG ganhou espaço no Brasil com máquina de porte a preço abaixo do das europeias.
A Bruto Brasil entra pelo custo-benefício nacional no pequeno e médio porte.
A BRT30 trabalha com 3.000 kg de carga, caçamba de 1,8 m³ e 4.100 mm de altura de descarga; a BRT35 vai a 3.500 kg e caçamba de 2,0 m³. Qual das opções serve depende da conta de cada operação: volume da frente, distância da jazida e o caminhão que já está no seu pátio.
A janela até a ordem de serviço é curta
A ordem de serviço de Botuverá ainda depende da assinatura do contrato, etapa que o Estado estima em cerca de quatro meses. A expectativa divulgada é de canteiro andando em janeiro de 2027.
Faça a conta do calendário: quem quiser estar equipado quando a obra sair do papel tem esse intervalo para bater o martelo na compra e receber a máquina. O Finame segue como o caminho de quem financia equipamento pesado no país, e a conversa com o banco rende mais agora do que com a fila de obra cheia.
Em 4 de novembro abrem os envelopes de Mirim Doce. Em janeiro, a previsão é a primeira máquina entrar em Botuverá.