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Metas de reciclagem apertam em julho e o gargalo agora é o pátio

Reciclagem e ResíduosPublicado em 27 de jul. de 2026CompartilharTweetarPinterestWhatsApp
Metas de reciclagem apertam em julho e o gargalo agora é o pátio

Desde julho, as metas de conteúdo reciclado do Decreto do Plástico passaram a valer também para as pequenas e médias empresas. E quem toca uma central de triagem no Brasil sentiu o telefone tocar diferente.

O Decreto 12.688, publicado em 21 de outubro de 2025, criou o sistema de logística reversa das embalagens plásticas. Pelo artigo 34, as grandes empresas passaram a ser cobradas em janeiro de 2026. As pequenas e médias, agora em julho.

O piso é o mesmo para todo mundo: 22% de material reciclado pós-consumo nas embalagens que chegam ao varejo. A trajetória de recuperação de embalagem plástica sobe ano a ano até chegar a 50% em 2040.

A conta do país não fecha

O Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduo sólido por ano e recicla perto de 8%, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos da Abrema. É o dobro do que era em 2022. Continua longe do que a norma passou a exigir.

Em São Paulo o retrato é mais duro. Estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP, divulgado nesta semana, mostrou que a coleta seletiva da capital chegou a 2,85% do lixo recolhido em 2024. A meta era 10%.

São 274 toneladas por dia, em média. O plano de 2017 falava em 3 mil.

Onde o gargalo aparece de verdade

Não é falta de material. É falta de chão para receber e de máquina para movimentar.

A pesquisa das professoras Helena Ribeiro e Wanda Gunther aponta que a capital paulista opera com três centrais de tratamento e duas unidades de triagem automatizada, cada uma com capacidade de 250 toneladas por dia. O resto é cooperativa segurando a ponta com o que tem.

Em Curitiba, nove cooperativas ligadas ao programa Ecocidadão processam 3 mil toneladas de recicláveis por mês, com cerca de mil catadores, segundo o Sebrae do Paraná. Volume existe. O que pega no osso é o tempo entre o caminhão encostar e a carga estar separada na baia certa.

O relógio começa quando o caminhão encosta

Quem já tocou pátio sabe como é. Caminhão parado esperando descarga vira fila que come a manhã inteira. Fardo de PET, sucata, vidro, resíduo de construção: tudo precisa sair da boca da caçamba e ir para o lugar certo, rápido.

É aí que a máquina decide o dia. Uma pá-carregadeira de porte médio empilha fardo, alimenta esteira, carrega caçamba de rolloff e troca implemento quando o tipo de resíduo muda.

Na linha da Bruto Brasil, a BRT25 é a mais procurada nessa faixa: 2.500 kg de capacidade, caçamba de 1,5 m³, 8.500 kg de peso operacional e 4.100 mm de altura de descarga. Tem troca rápida com terceira função hidráulica e comando por joystick, o que conta quando o operador passa oito horas alternando entre fardo e granel.

Como a máquina nacional se posiciona

Nessa mesma classe de porte o mercado tem opções conhecidas, e cada uma tem seu ponto forte. A SDLG L956F chega com rede de peças espalhada pelo país. A Volvo L60 é referência em cabine e eletrônica embarcada. A LiuGong 835 tem presença firme em operação de agregado. A Bruto Brasil joga no custo-benefício nacional, com assistência e peça no Brasil.

Para pátio de volume grande e resíduo pesado, a conversa sobe de faixa: BRT30 e BRT35 vão a 1,8 m³ e 2,0 m³ de caçamba, terreno em que também jogam a Volvo L90 e a Caterpillar 926. A escolha muda conforme o tipo de material, o turno e o orçamento.

Quanto tempo a máquina leva pra se pagar

A conta do dono de central não é complicada. Some as horas que a operação perde esperando movimentação manual, multiplique pelo custo do turno e compare com a parcela.

Quem está comprando o primeiro equipamento costuma olhar a linha de entrada. A LC20, com 2.000 kg de capacidade e caçamba de 1,0 m³, resolve pátio de porte menor sem estourar o caixa.

Vale sentar com o banco antes de bater o martelo. A parcela entra no custo do mês, e a máquina entra no patrimônio da empresa desde o primeiro dia no pátio.

O que vem logo depois de julho

Os relatórios anuais de logística reversa referentes a 2025 têm de chegar ao Ministério do Meio Ambiente até 30 de julho. Quem não comprovar destinação entra no radar da fiscalização.

E a demanda por material reciclado não vai recuar. Reportagem do Jornal do Comércio publicada nesta semana mostra a indústria de embalagem correndo atrás de resina pós-consumo para cumprir a norma. Quem entrega volume separado e limpo negocia melhor.

No agro o recado já chegou antes: o Sistema Campo Limpo recolheu quase 76 mil toneladas de embalagem vazia em 2025, 11% a mais que no ano anterior, segundo o inpEV. Material tem, e vai ter mais. Falta quem esteja com o pátio pronto quando ele chegar.

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