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Brasil perde 3,9 milhões de cabeças de gado em um ano e tem o menor rebanho desde 2022

Confinamentos e PecuáriaPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Brasil perde 3,9 milhões de cabeças de gado em um ano e tem o menor rebanho desde 2022

O rebanho bovino brasileiro fechou 2025 com 234,3 milhões de cabeças, queda de 1,7% em um ano. São cerca de 3,9 milhões de animais a menos no campo, o menor efetivo desde 2022.

Para quem toca fazenda o recado é curto: tem menos animal disponível para entrar no cocho. A Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE saiu em 30 de setembro e conta o rebanho que estava no pasto em 31 de dezembro de 2025.

Dois anos de queda e um pico que ficou para trás

Sozinho, o 1,7% engana. A série do IBGE mostra o efetivo no recorde em 2023, com 238,6 milhões de cabeças, um recuo de leve em 2024, para 238,2 milhões, e a queda forte agora.

Do pico de 2023 até aqui são 4,3 milhões de cabeças a menos, ou 1,8% do rebanho. É a segunda retração anual seguida, pelos números do próprio instituto.

Rebanho é estoque. Só que estoque de boi não se repõe com uma ordem de compra: leva o tempo da vaca e da engorda.

O IBGE aponta o abate de fêmeas como causa

Segundo o IBGE, a redução está ligada ao aumento dos abates nos últimos quatro anos, em especial o de fêmeas. Em 2025, o abate de bovinos sob inspeção sanitária chegou a 43,0 milhões de cabeças, o maior volume já registrado na pesquisa trimestral do instituto.

O abate de fêmeas subiu pelo quarto ano consecutivo e bateu o ápice da série histórica. Cada matriz que sobe na carreta é um bezerro que não nasce na safra seguinte.

Do outro lado da porteira, a demanda puxou. As exportações de carne bovina in natura cresceram 21,4% em volume e 42,5% em faturamento em 2025, com a China levando 53,3% do que saiu, conforme os dados da Secex citados pelo IBGE.

Onde o rebanho encolheu

  • O Centro-Oeste segue na liderança, com 72,2 milhões de cabeças e 30,8% do efetivo nacional, mas caiu pelo terceiro ano seguido.

  • Mato Grosso, maior rebanho do país, perdeu 3,7% e ficou com 31,6 milhões de animais. Goiás recuou 3,2%.

  • O Norte chegou a 63,4 milhões de cabeças, com queda de 1,8%, e responde por 27% do rebanho brasileiro.

  • Sudeste e Sul também caíram pelo terceiro ano seguido, 1,0% e 1,7%, e fecharam com 37,3 milhões e 24,1 milhões de cabeças.

  • O Nordeste foi a única região a crescer: alta de 2,2% e 37,3 milhões de animais, a primeira vez que a região passa dos 37 milhões.

São Félix do Xingu, no Pará, continua o maior município pecuário do Brasil, com 2,7 milhões de bovinos. É 1,2% de todo o efetivo nacional em uma cidade só.

O avanço do Nordeste e a terceira queda seguida do Centro-Oeste mudam o mapa de quem compra e de quem vende animal. Muda também a distância que o caminhão de boi vai rodar no mercado de reposição de bovinos.

Menos cabeça e mais carne: o paradoxo de 2025

Rebanho menor não quis dizer menos carne no caminhão. Pelos números da Abiec, no Beef Report 2026, o Brasil abateu 47,79 milhões de bovinos somando o que ficou fora da inspeção federal, e produziu 12,35 milhões de toneladas equivalente-carcaça, alta de 4,6%.

Foi o bastante para o país assumir, pela primeira vez, a posição de maior produtor mundial de carne bovina, com 16,1% da produção global. Os Estados Unidos, líderes históricos, ficaram em segundo, com 11,8 milhões de toneladas.

A conta fecha no peso de cada animal. O peso médio da carcaça ficou em 258,5 quilos e o de macho chegou a 296,4 quilos, pelo Beef Report 2026.

E o cocho pesou mais na balança. O confinamento respondeu por 9,93 milhões de cabeças em 2025, ou 20,79% de todo o abate do ano, pelos números da Abiec.

Um em cada cinco bois que chegou ao frigorífico passou por ração antes de embarcar. O Brasil tirou mais arroba de cada cabeça que sobrou.

A reposição é a linha que mais dói no confinamento

Quem engorda sabe onde o dinheiro vai. A compra do magro não se dilui no tempo: entra inteira, por cabeça, antes do primeiro trato.

Pelos números da Abiec, a venda de animais de reposição movimentou R$ 44,5 bilhões em 2025, dentro de um faturamento de R$ 271,6 bilhões na pecuária. É o preço do boi magro mandando no resultado de quem tem pátio e cocho para encher.

Com rebanho em queda e abate de fêmeas no topo da série, a oferta de bezerro tende a apertar nas próximas safras. Aí entram frete e ágio para buscar animal mais longe, e lote curto no pátio do frigorífico quando falta gado na praça.

A conta que importa vence em 2027 e 2028. Fêmea abatida em 2025 não dá bezerro em 2026, e bezerro que não nasceu não entra no pátio do frigorífico dois anos depois.

Menos matriz hoje é reposição mais disputada depois. O magro de 2028 vai sair de um rebanho 4,3 milhões de cabeças menor que o de 2023.

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