O custo do confinamento no Sudeste caiu para R$ 11,48 por cabeça ao dia em julho, o menor patamar em 23 meses, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP). É recuo de 2,63% sobre junho e de 9,46% na comparação com julho do ano passado.
E a conta melhorou dos dois lados. Enquanto a dieta barateava, a arroba do boi terminado subiu 3,77% no mês, para R$ 344, pelo mesmo levantamento.
Menos de metade da arroba vai para o cocho
Com ração mais barata e boi mais caro, foram necessárias 3,64 arrobas para pagar toda a alimentação do ciclo. São 47,9% das 7,59 arrobas que cada animal produziu no confinamento.
Sobra mais da metade da produção para cobrir bezerro, sanidade, mão de obra e o que vira margem. O custo alimentar não ficava tão baixo desde agosto de 2024.
O resultado apareceu na ponta do lápis. O lucro estimado chegou a R$ 1.145,71 por cabeça no Sudeste, 13,73% acima de junho.
Centro-Oeste sobe o custo e ainda fecha no azul
Na outra praça o movimento foi contrário. O custo alimentar do Centro-Oeste subiu 1,63% em julho, para R$ 13,12 por cabeça ao dia.
Mesmo assim, o custo por arroba produzida na região caiu 3,08%, para R$ 180,62, e o lucro somou R$ 1.138,30 por cabeça. As duas regiões fecharam o mês com mais de mil reais de sobra por animal.
Os números de julho
Custo alimentar no Sudeste: R$ 11,48 por cabeça/dia (-2,63% no mês)
Custo alimentar no Centro-Oeste: R$ 13,12 por cabeça/dia (+1,63%)
Arrobas gastas com dieta no Sudeste: 3,64 de 7,59 produzidas
Lucro por cabeça: R$ 1.145,71 no Sudeste e R$ 1.138,30 no Centro-Oeste
O levantamento da consultoria Ponta acompanha cerca de 62% do rebanho confinado do país. Outras análises do mercado do boi estão na editoria de pecuária.
A parte da conta que o cocho não mostra
Dieta barata só vira margem se o trato sair na hora. Boi que come atrasado engorda menos, e o gargalo raramente está na fórmula: está no pátio, entre a face do silo e o vagão misturador.
Confinamento grande trata duas, três vezes por dia, chova ou faça sol. Meia hora perdida em cada trato se acumula até o fechamento do lote.
Nessa etapa quem dita o ritmo do trato é a carregadeira do pátio. Na faixa de porte médio, a BRT25 da Bruto Brasil trabalha com 2.500 kg de carga e caçamba de 1,5 m³, segundo o catálogo da fabricante.
Na mesma prateleira brigam a SDLG, do grupo Volvo, conhecida pelo preço de entrada e pela rede de assistência, e a LiuGong, que disputa esse porte no mercado brasileiro com linha ampla de carregadeiras. Qual delas entra no pátio depende da conta de cada operação.
O que vem agora
Nas praças de referência de Araçatuba e Barretos a arroba seguia firme em meados de agosto, com escala de abate curta. O próximo boletim da Ponta, com os números de agosto, vai mostrar se a ração segura esse patamar enquanto a escala de abate continua curta.