Sumiram R$ 96,51 milhões do orçamento da BR-153 entre Passo Fundo e Erechim. É o tamanho do corte que o DNIT fez na nova versão do edital, e ele mexe direto no dinheiro que vai bancar a obra de terraplanagem dos 68,4 km que ainda não têm asfalto.
O valor de referência caiu de R$ 592,69 milhões para R$ 496,18 milhões, segundo a Rádio Tapejara. A redução, de R$ 96,51 milhões, veio depois de apontamentos do Tribunal de Contas da União.
E não se trata do edital de julho. O Jornal Boa Vista informa que esta é a terceira versão do documento da Concorrência nº 233/2026: lançado no início de julho, suspenso no começo de agosto para ajuste de valores e agora republicado mais barato.
A sessão pública foi adiada para 15 de outubro, às 15h, em formato eletrônico. O prazo de execução é de 36 meses contados da Ordem de Início de Serviço, e o licenciamento ambiental segue correndo na Fepam, conforme a Rádio Tapejara.
O corte do TCU aperta o desconto de quem for disputar
Com o preço de referência menor, a construtora que entrar na sessão terá de oferecer abatimento em cima de um valor já enxugado. O espaço entre o que o DNIT paga e o que custa mover terra no Planalto Médio ficou mais estreito.
De onde sai esse desconto, então? Sai da produtividade da frota, porque em 68,4 km de frente aberta o que separa lucro de aperto é metro cúbico carregado por hora, dia após dia, com chuva de inverno no meio.
O adiamento vale dinheiro. Um mês a mais dá tempo de fechar consórcio, revisar composição de custo e dimensionar o parque de máquinas que vai tocar três anos de canteiro.
E o abatimento no preço não é o único aperto. A construtora que assume um trecho desse tamanho precisa sustentar o caixa entre uma medição e outra, com combustível, manutenção e folha rodando todo mês.
Implantação do zero em 68,4 km do Planalto Médio
O objeto do edital é pavimentação, adequação de capacidade, melhoria de segurança e eliminação de segmentos críticos. Traduzindo para o canteiro: corte, aterro, drenagem, greide e bota-fora antes que a primeira camada de asfalto encoste no terreno.
O que está no papel é a extensão: 68,4 km, o que o Jornal Boa Vista descreve como o único trecho da rodovia que corta o país de norte a sul ainda sem pavimentação.
Frente longa desse porte não roda com uma máquina só, e é aí que o parque de equipamento pesa mais que o folder do fabricante. Cada marca resolve um pedaço da obra.
A Develon, nome que a Doosan passou a usar na linha amarela, tem na escavadeira hidráulica de porte médio e grande a máquina que abre o corte e ataca o talude. A Case acumula décadas de retroescavadeira em obra rodoviária brasileira, o equipamento do serviço miúdo de vala e berço de bueiro.
Frota própria é o que sustenta 36 meses de canteiro
Contrato de três anos no norte gaúcho significa três invernos de barro e uma programação que não perdoa atraso de terceiro. No pico do movimento de terra, a carregadeira que não chega no dia combinado empurra a frente inteira para a semana seguinte.
Na prática, a carregadeira é a máquina que não pode faltar entre a escavação e o caminhão. Ela alimenta o transporte de material, puxa brita para a base e limpa a frente depois que o escavador passou.
Ter o equipamento próprio muda essa matemática. O custo por hora se dilui ao longo dos 36 meses, a máquina continua sendo bem da empresa depois da entrega do trecho e o Finame permite programar a compra dentro do cronograma de medições.
Para a empresa de terraplanagem do Sul que ainda monta o parque, comprar direto de fábrica encurta o caminho e o preço final. Sobrou um mês a mais para comparar porte, capacidade de carga e prazo de entrega antes de bater o martelo do consórcio.
O licenciamento ambiental ainda corre na Fepam, e o cronograma real de quem disputa começa bem antes da ordem de serviço. Outras frentes estão nesse mesmo estágio, com máquina já sendo negociada antes de a licença sair, e aparecem na cobertura de obras de terraplanagem.
A briga de outubro é essa: baixar o preço de um valor que já veio cortado pelo TCU e ainda entregar 68,4 km em 36 meses. Leva o trecho o consórcio que chegar na sessão sabendo exatamente quantas máquinas próprias vai colocar no Planalto Médio.