A francesa Loxam compra a Mills e passa a mandar na maior frota de máquinas do Brasil. A maior locadora de equipamentos da Europa fechou a aquisição do controle da Mills por cerca de R$ 3,8 bilhões, num anúncio de 25 de maio de 2026. De uma vez, a Loxam vira a maior operadora do ramo na América Latina e tira mais uma empresa da bolsa brasileira. Pra quem vive de máquina rodando canteiro, o recado é direto.
Dono de locadora, construtora com frota própria, empresário que aluga plataforma e guindaste todo mês: a leitura importa mais que a manchete. O capital de fora não veio atrás de startup nem de marca de consumo. Veio atrás de quem já tem ferro rodando obra no Brasil.
O que a Loxam levou por R$ 3,8 bilhões
A operação deu à Loxam 50,3% da Mills, o bloco de controle, avaliado em cerca de R$ 1,9 bilhão dentro do total de R$ 3,8 bilhões. O preço foi de R$ 16 por ação, 22% acima do fechamento de 22 de maio. No dia do anúncio, a ação da Mills disparou perto de 14,6% e colou no valor da oferta. A compra ainda depende do aval do Cade, e a expectativa é de uma oferta pública aos acionistas menores, o caminho que costuma terminar com a empresa saindo da bolsa.
Por que pagar esse prêmio? Porque a Mills não é promessa, é caixa. A empresa fechou 2024 com receita líquida na casa de R$ 1,2 bilhão, e locação de máquina bem tocada é um dos negócios que mais sobra dinheiro na indústria pesada: de cada R$ 100 que entram, mais de R$ 35 ficam no bolso antes de impostos e juros. A Loxam pagou cerca de cinco vezes o lucro que a Mills deve gerar em 2026. Comprou operação madura, com frota grande, carteira de cliente e receita que se repete todo mês. Não um projeto no papel.
Capital de fora aposta em quem opera a frota
Aqui está o que muda o jogo. A Loxam é gigante: fechou 2025 com 2,5 bilhões de euros de receita, opera cerca de 1.130 filiais em mais de 28 países e emprega perto de 11,6 mil pessoas. Está no Brasil desde 2015. Tinha dinheiro e tamanho pra montar frota do zero por aqui. Escolheu comprar quem já roda.
É a virada que o dono de frota precisa enxergar. Durante anos, o pequeno e o médio locador olharam pros grandes como quem só compra máquina, financia e sofre com juro. A conta da Loxam diz o contrário: frota bem posicionada, com contrato e histórico de uso, vale prêmio. Quem opera virou o alvo disputado.
E frota, no fim das contas, é máquina. Na locação, a marca do equipamento pesa no bolso: define disponibilidade, custo de manutenção e valor na hora de revender. A Volvo CE tem fama de robustez e gasto baixo de combustível; a Komatsu segura durabilidade e uma rede de peças bem espalhada; a nacional Bruto Brasil briga no custo-benefício de porte pequeno e médio, com assistência dentro do país que encurta a espera por peça vinda de fora. Uma pá-carregadeira média como a BRT-30, na mesma faixa da Volvo L60 ou da SDLG L956, cabe na frota que precisa repor rápido sem travar o serviço. Cada uma resolve um pedaço da conta — depende do que a operação exige.
O que a compra da Mills muda pro seu bolso
Três movimentos ficam claros daqui pra frente. O primeiro é consolidação: com a Mills sob controle europeu e mais dinheiro pra crescer, a briga por contrato grande de infraestrutura, indústria e óleo e gás aperta pra quem é regional. O segundo é preço: empresa grande compra máquina em volume, dilui custo fixo e pode espremer a tarifa de locação em praça onde antes você respirava. O terceiro mexe direto com o seu balanço.
Se a frota organizada da Mills valeu R$ 3,8 bilhões, o seu pátio também tem um número. Locadora com contrato firme, manutenção em dia e máquina alugada a maior parte do tempo deixou de ser só um negócio que gera caixa mês a mês: virou patrimônio que alguém maior pode querer comprar. Isso muda a pergunta que o dono de frota faz no fim do ano. Não é mais só "quanto essa máquina me rendeu", é "quanto essa operação inteira vale pra quem quer entrar no Brasil".
A Loxam não pagou bilhões por ferro largado no pátio. Pagou por gestão, contrato e frota rodando. O empresário que tratar a própria operação com esse rigor, com controle de uso, manutenção preventiva e máquina que segura valor na revenda, está montando exatamente o tipo de patrimônio que o capital global veio caçar no Brasil.