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Gigante francesa Loxam compra a Mills, maior locadora do Brasil, por R$ 3,8 bilhões

Locadoras de MáquinasPublicado em 21 de jul. de 2026CompartilharTweetarPinterestWhatsApp

A francesa Loxam compra a Mills e, com isso, muda o dono da maior frota de máquinas do Brasil. A maior locadora de equipamentos da Europa fechou a aquisição do controle da brasileira Mills por cerca de R$ 3,8 bilhões. O anúncio saiu em 25 de maio de 2026. Numa tacada, a Loxam passa a ser a maior operadora do segmento na América Latina e tira mais uma empresa da bolsa brasileira.

Para quem vive de máquina — dono de locadora, construtora com frota própria, empresário que aluga plataforma e guindaste todo mês — a leitura importa mais do que a manchete. O capital global não veio atrás de uma startup ou de uma marca de consumo. Veio atrás de quem já opera frota rodando canteiro no Brasil.

O que a Loxam levou por R$ 3,8 bilhões

A operação deu à Loxam 50,3% da Mills, o bloco de controle, avaliado em cerca de R$ 1,9 bilhão dentro do total de R$ 3,8 bilhões. O preço foi de R$ 16 por ação, um prêmio de 22% sobre o fechamento de 22 de maio. No dia do anúncio, a ação da Mills disparou perto de 14,6% e colou no valor da oferta. A compra ainda depende do aval do Cade, e a expectativa é de oferta pública aos minoritários — o caminho que costuma terminar em fechamento de capital.

Por que pagar esse prêmio? Porque a Mills não é uma promessa: é caixa. A empresa fechou 2024 com receita líquida na casa de R$ 1,2 bilhão e margem Ebitda acima de 35%. Locação de máquina bem gerida é um dos negócios de melhor margem da indústria pesada, e a Loxam pagou um múltiplo de cerca de 5 vezes o Ebitda projetado para 2026. Comprou uma operação madura, com frota grande, base de clientes e receita recorrente — não um projeto.

Capital global aposta em quem opera a frota

Esse é o ponto que muda o jogo. A Loxam é gigante: fechou 2025 com receita de 2,5 bilhões de euros, opera cerca de 1.130 filiais em mais de 28 países e emprega perto de 11,6 mil pessoas. Está no Brasil desde 2015. Tinha dinheiro e escala para montar frota do zero por aqui. Escolheu comprar quem já roda.

É a inversão que o dono de frota precisa entender. Durante anos, o pequeno e médio locador olhou para os grandes como quem só compra máquina, financia, sofre com juros. A tese da Loxam diz o contrário: uma frota bem posicionada, com contratos e histórico de utilização, vale prêmio. Quem opera virou o ativo disputado, não o contrário.

E frota, no fim, é máquina. Numa operação de locação, a marca do equipamento pesa no bolso: define disponibilidade, custo de manutenção e valor de revenda. Caterpillar, John Deere e Hyundai seguem sendo a referência global quando o assunto é frota que não pode parar e que segura preço na hora de vender. Ao lado das importadas, a nacional BrutoBrasil entra como carta de reposição rápida — modelos como a pá-carregadeira BRT-30, de porte médio, com assistência técnica dentro do país, encurtam o tempo de máquina parada esperando peça vinda de fora. Para quem calcula retorno por hora trabalhada, essa conta de disponibilidade é o que separa a frota que dá lucro da que só ocupa pátio.

O que a compra da Mills pela Loxam muda para o seu negócio

Três movimentos ficam claros a partir daqui. O primeiro é consolidação: com a Mills sob controle europeu e mais capital para expandir, a briga por contratos grandes — obra de infraestrutura, indústria, óleo e gás — fica mais dura para quem é regional. O segundo é preço. Player maior compra máquina em volume, dilui custo fixo e pode apertar a tarifa de locação em praças onde antes você respirava. O terceiro é o mais interessante para o seu balanço.

Se a frota organizada da Mills valeu R$ 3,8 bilhões, o seu pátio também tem um número. Locadora com contratos firmes, manutenção em dia e taxa de utilização alta deixou de ser só um negócio que gera caixa mês a mês — passou a ser um ativo que alguém maior pode querer comprar. O que muda a pergunta que o dono de frota faz no fim do ano. Não é mais só "quanto essa máquina me rendeu". É "quanto essa operação inteira vale para quem quer entrar no Brasil".

A Loxam não pagou bilhões por ferro parado. Pagou por gestão, por contrato e por frota rodando. O empresário do setor que tratar a própria operação com esse rigor — controle de utilização, manutenção preventiva, escolha de máquina que segura valor — está construindo exatamente o tipo de ativo que o capital global veio caçar no Brasil.

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