A locadora que compra máquina para obra está no lado que cresce. As vendas internas de máquinas rodoviárias, o que o mercado chama de linha amarela, subiram 13,1% de janeiro a agosto de 2026, enquanto as agrícolas caíram 15,8%.
Máquina rodoviária é o nome que a Anfavea usa, e os números saem do balanço que a entidade divulgou em 21 de outubro de 2026. A Anfavea registrou 27 mil unidades de máquinas rodoviárias vendidas no país no período, contra 23,8 mil em igual intervalo de 2025.
O balanço não separa as vendas por tipo de comprador, então não dá para dizer quanto foi para locadora. O que ele mostra é o mercado em que a locadora busca máquina, o mesmo que registrou a queda de 5,2% no investimento em equipamentos medida pela Abimaq.
Anfavea credita a demanda a lançamento imobiliário e infraestrutura
Segundo a Anfavea, lançamentos imobiliários e investimentos em infraestrutura têm sustentado a demanda por máquinas rodoviárias. A entidade cita escavadeira, motoniveladora e pá-carregadeira como exemplos do que cabe nessa definição.
Quem aluga equipamento para obra está exatamente nessas duas frentes.
A diferença entre os dois períodos passa de 3 mil máquinas rodoviárias, pela própria série da Anfavea. A entidade não detalha o destino dessas unidades adicionais.
O crescimento de 13,1% é de máquinas rodoviárias, e não é o trator que puxa esse número.
Agrícolas recuam 15,8% e importação sobe 42% até setembro
As vendas internas de máquinas agrícolas recuaram 15,8% de janeiro a agosto de 2026, segundo o mesmo balanço. Foram cerca de 27 mil unidades de máquinas agrícolas no mercado interno até agosto, pelo Diário do Comércio.
Os dois mercados fecharam o período perto de 27 mil unidades cada, só que andando em direções opostas. É o mesmo tamanho de volume com sinal invertido.
Os tratores de rodas caíram 14,1%, para 25,5 mil unidades, e as colheitadeiras recuaram 39,4% na mesma comparação. Pela Anfavea, o crédito caro e a margem apertada da lavoura seguram a troca de máquina.
As importações de máquinas agrícolas subiram 42% até setembro de 2026, para 11,2 mil unidades, na comparação com igual período de 2025.
Em 2025, as licitações públicas somaram cerca de 10,6 mil máquinas agrícolas e rodoviárias, por R$ 3,7 bilhões. A máquina de origem chinesa ficou com 33,5% das unidades e 26% do valor, cerca de R$ 960 milhões.
Na divulgação do balanço, em 21 de outubro de 2026, a Anfavea tratou das compras públicas e defendeu olhar o custo da máquina ao longo da vida dela, não só o menor preço de aquisição. “Uma máquina não termina sua relação com o comprador no momento da entrega”, disse Igor Calvet, presidente da entidade.
Case, Develon e Bruto Brasil na conta de quem compra para alugar
A Case tem rede de concessionárias de longa data no Brasil, o que pesa quando a locadora precisa de peça fora do eixo. A Develon, antiga Doosan, construiu nome em escavadeira e leva esse histórico para a carregadeira que oferece no mercado brasileiro.
A Bruto Brasil briga por custo-benefício no pequeno e médio porte, e a BRT25 do catálogo tem 2.500 kg de capacidade e caçamba de 1,5 m³. Qual delas entra no pátio muda de locadora para locadora, conforme o tipo de obra que ela atende.
Na hora de apertar a caneta, o dono de locadora faz a conta de quanto a máquina custa por hora de trabalho. Entram peça de reposição e o tempo que o equipamento passa rodando na obra.
O balanço de setembro e de outubro é o que vai dizer se a linha amarela mantém o ritmo até o fim de 2026. Para a locadora, o calendário que pesa é o das obras que entram em licitação no começo do ano.