O empresário que engavetou a renovação de frota neste ano tem uma porta nova para bater. O BNDES abriu o protocolo da nova etapa do Brasil Soberano em 17 de setembro, R$ 22,6 bilhões no total, com uma linha carimbada para a aquisição de máquinas e equipamentos, o dinheiro de bens de capital.
Do total, R$ 13,5 bilhões vêm do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões saem do próprio banco.
As modalidades ofertadas são capital de giro, capital de giro para exportação, aquisição de máquinas e equipamentos e projetos de investimento.
Os valores e o desenho das linhas são do BNDES; os critérios de entrada e as listas de setores vêm de portaria interministerial do MDIC e do Ministério da Fazenda.
O Finame é a porta larga de sempre para a empresa que compra máquina nova. O Brasil Soberano é outra coisa: nasceu como socorro ao exportador atingido por tarifa e à indústria dos setores listados.
No campo, a demanda por máquina já está posta: o fim da colheita de algodão em Mato Grosso, com média estadual de 322,35 arrobas por hectare, pelo IMAmt, despejou volume nas fazendas.
O dinheiro está carimbado, mas a portaria só chama três grupos
A portaria separa os elegíveis em três grupos. No primeiro estão as exportadoras para os Estados Unidos e seus fornecedores atingidos pelo aumento de tarifas, desde que a receita de exportação represente no mínimo 1% do faturamento entre julho de 2024 e junho de 2025.
O segundo grupo é industrial: empresas de média, média-alta ou alta intensidade tecnológica em setores relevantes ao comércio exterior. Entre eles estão têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, máquinas e equipamentos e minerais críticos.
O terceiro olha para o Golfo Pérsico e exige de exportadores e fornecedores receita bruta mínima de 1% no período de janeiro a dezembro de 2025.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a nova fase quer apoiar empresas ainda atingidas pelo aumento de tarifas dos Estados Unidos e estimular a diversificação de mercados.
Mercadante também citou o reforço de cadeias estratégicas, entre elas fertilizantes e minerais críticos.
Os critérios publicados falam de exportação e de setores industriais listados, e "máquinas e equipamentos" está entre eles.
A porta do segundo grupo abre pelo setor em que a empresa é classificada. Fabricante de máquina está nesse setor; comprador de máquina está no setor dele.
Nenhum trecho aberto responde se a construtora que compra equipamento ou a locadora que renova frota cabe em algum dos três grupos.
A porta abriu; o que passa por ela ainda não está todo escrito
As condições finais de cada modalidade ainda não saíram em texto aberto.
O BNDES reabriu o protocolo para todas as modalidades em 18 de setembro, um dia depois.
Pelo grupo 1 e pelo grupo 3, a entrada exige o balanço de exportação na mão. Pelo grupo 2, ela depende do setor em que a empresa é classificada.