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Mato Grosso fecha a safra 2025/26 de algodão com 322,35 arrobas por hectare e o relógio do custo passa a correr no pátio

Fazendas e AgroPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Mato Grosso fecha a safra 2025/26 de algodão com 322,35 arrobas por hectare e o relógio do custo passa a correr no pátio

A colheita de algodão da safra 2025/26 em Mato Grosso foi concluída em 11 de setembro, com 100% da área estimada recolhida. Uma semana depois, em 18 de setembro, o levantamento de campo do IMAmt em parceria com a Ampa e o Imea fechou a produtividade média do estado em 322,35 arrobas por hectare.

O número é estadual, de Mato Grosso, e não uma média do Brasil.

E a média do estado esconde justamente o que interessa ao gestor de fazenda. No núcleo Médio-Norte o levantamento aponta médias entre 345 e 390 arrobas por hectare, no Centro a média ficou em 340 com picos de até 410, e no Norte 2 a variação foi de 270 a 405.

A colheita tinha começado em 19 de junho, segundo o Imea.

Do Médio-Norte ao Norte 2: a distância entre 270 e 410 arrobas

Mesmo estado, mesma safra. E lavouras que fecham o ciclo em patamares muito diferentes.

Sorte de talhão não explica isso.

Clima e variedade contam. Mas a distância entre 270 e 410 arrobas dentro do mesmo estado tem muito a ver com o que a fazenda consegue tocar dentro do prazo.

Manejo explica uma parte. A outra está no tempo que o algodão leva para sair do campo, ser empilhado, ser carregado e seguir para a algodoeira.

Cada hora parada nessa sequência é hora em que o maquinário caro do talhão fica esperando a vez.

Carga e descarga: o ponto em que a espera vira custo

Com o campo limpo, o gargalo muda de endereço. Sai da lavoura e entra no pátio, onde o caroço e o fardão precisam de espaço, empilhamento e movimentação contínua até o embarque.

E pátio de algodão não trabalha em horário comercial.

Caminhão chega, descarrega e volta para o campo. Se a pilha não sai da frente, o próximo entra na fila.

Sem carregadeira própria, o pátio só anda quando o equipamento de terceiro aparece. E cada hora de espera é caminhão parado no pátio em vez de rodando para a algodoeira.

Sair dessa fila custa um equipamento próprio, e o primeiro degrau é a faixa de entrada da carregadeira de rodas. Nela disputam nomes como New Holland Construction, JCB e Bruto Brasil.

Para a fazenda que hoje resolve o pátio com trator emprestado, qual delas cabe muda de propriedade para propriedade.

A pá-carregadeira é a máquina desse trecho do calendário, assunto que também aparece na cobertura de pátio, carga e embarque.

No talhão a máquina é outra. Colher algodão é serviço de colhedora, linha em que trabalham fabricantes como John Deere e Case IH.

Só que colhedora e carregadeira não competem entre si. Uma trabalha no talhão, dentro da janela de colheita; a outra trabalha no pátio, do fim da colheita até o último caminhão sair.

O descaroçamento assume o calendário: 6,67 milhões de toneladas de caroço da safra 2025/26

O que saiu do campo ainda não virou receita. Pelos dados do Imea, a produção de Mato Grosso na safra 2025/26 estava estimada em cerca de 6,67 milhões de toneladas de algodão em caroço.

O Imea estima que Mato Grosso exporte 2,09 milhões de toneladas de pluma da safra 2025/26, embarque que corre no ciclo comercial 2026/27.

É o descaroçamento que define agora quando essa pluma fica pronta para seguir ao porto.

Pelo boletim do Imea, em agosto o Brasil embarcou 106,35 mil toneladas de pluma, 37,28% acima de agosto de 2025, e 58,32% desse total saiu de Mato Grosso.

Setembro fechou o campo e não fechou o pátio. Cada dia que o caroço passa parado é dia que a pluma não chega à fila do porto.

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