O estoque da indústria fechou setembro acima do que as empresas tinham planejado pelo terceiro mês seguido, e no terceiro trimestre a satisfação do empresário industrial com a margem de lucro desceu ao menor nível desde o segundo trimestre de 2020.
A satisfação com a margem de lucro marcou 42,2 pontos no terceiro trimestre, queda de 1,3 ponto, de acordo com a Sondagem Industrial divulgada pela CNI em 22 de outubro. Os índices vão de 0 a 100, com a linha divisória em 50 pontos: nos índices de evolução, acima de 50 aponta alta; nos de satisfação, abaixo de 50 predomina a insatisfação.
São mais de seis anos sem um valor tão baixo nesse indicador.
Carga tributária lidera e demanda interna salta ao 2º lugar
A carga tributária foi apontada como principal problema por 37,2% dos empresários no terceiro trimestre, alta de 3,9 pontos percentuais. A demanda interna insuficiente ficou em segundo, com 29,6% e alta de 3 pontos percentuais, depois de subir da quarta para a segunda posição.
Os juros elevados aparecem em terceiro, com 24,3% e alta de 0,6 ponto percentual. As duas primeiras queixas vêm de lados opostos: o tributo empurra o custo para cima, a demanda fraca segura o preço embaixo.
No mesmo trimestre, o acesso ao crédito ficou em 39,4 pontos, com recuo de 0,5 ponto, e a situação financeira em 47,4 pontos, com recuo de 0,2 ponto. Os três indicadores financeiros da pesquisa andaram para baixo ao mesmo tempo.
O aperto está entre o que entra de insumo e o que sai de preço.
Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, parte do aperto vem do custo. “Essa insatisfação reflete uma maior pressão de custos, em parte por conta da guerra no Oriente Médio”, disse ele na divulgação da pesquisa, em 22 de outubro.
Estoque efetivo no maior nível desde outubro de 2023
O estoque efetivo em relação ao planejado chegou a 50,8 pontos em setembro, alta de 0,4 ponto e terceira alta seguida, no maior nível desde outubro de 2023. O indicador, que já havia subido na edição de julho da mesma sondagem, segue acima da linha por uma margem de 0,8 ponto.
Acima de 50, o estoque efetivo está ligeiramente acima do planejado, e isso não é estoque alto. É acúmulo que ninguém no galpão quis: carga que entrou na programação de produção e não saiu na doca.
A evolução da produção ficou em 46,7 pontos em setembro, abaixo da linha divisória. Mais empresas reduziram do que aumentaram a produção em setembro contra agosto, e o indicador de número de empregados ficou em 48,0 pontos no mês.
O índice mede quantas empresas se mexeram, não o tamanho do recuo.
Estoque acima do planejado e produção abaixo da linha caíram no mesmo setembro. A carga fica no galpão e o dinheiro fica parado dentro dela.
No pátio de fábrica e de centro de distribuição, a carregadeira de carga e descarga vem de fornecedores como Komatsu, Liebherr e Bruto Brasil, cada uma em sua faixa de porte e de preço.
Capacidade instalada em 70% e investimento de volta em outubro
A utilização da capacidade instalada ficou em 70% em setembro, alta de 1 ponto percentual, o mesmo nível de setembro de 2025. É a média de uso da capacidade das empresas ouvidas, e segue no mesmo patamar de um ano antes.
A intenção de investimento para outubro subiu 1,3 ponto e chegou a 52,6 pontos, acima da linha dos 50. No acumulado de 2026, porém, o indicador já perdeu 3,3 pontos.
A pesquisa ouviu 1.348 empresas entre 1º e 13 de outubro, sendo 562 pequenas, 474 médias e 312 grandes. O recorte é nacional, da indústria brasileira como um todo.
O próximo retrato da produção virá nos Indicadores Industriais de setembro, que a CNI ainda não datou.