A importação de produtos de aço somou 600.041 toneladas em setembro de 2026, alta de 34,6% sobre setembro de 2025. No mesmo mês, a produção de aço bruto da siderurgia brasileira ficou em 2,791 milhões de toneladas, queda de 0,8% sobre setembro de 2025.
Para quem compra chapa e bobina, o recado do mês é direto: mais material importado disponível e menos aço saindo das usinas brasileiras mudam a conta de quanto estoque vale a pena segurar.
Os dois números saíram no mesmo boletim, a Estatística Mensal nº 138, da edição de outubro de 2026 do Instituto Aço Brasil.
Importado sobe, produção recua no mesmo mês
Em valor, a importação do mês foi de US$ 541 milhões, 29,6% acima de setembro de 2025.
O mês de comparação havia registrado 445.908 toneladas importadas e produção de aço bruto de 2,814 milhões de toneladas.
As 600.041 toneladas misturam estágios da cadeia. Pela tabela do boletim, 159.854 toneladas são semiacabados: 82.070 de placas e 77.784 de lingotes, blocos e tarugos.
O resto são planos, longos e outros produtos. Chamar o total de aço acabado seria errado para mais de um quarto do volume.
Já as 2,791 milhões de toneladas são aço bruto saído das usinas, outro ponto da cadeia, e os dois volumes não medem a mesma coisa.
De onde vem o salto de setembro
O boletim não escreve uma causa para a alta do mês, mas mostra de onde ela vem. Os semiacabados responderam por 123.743 das 154.133 toneladas de aumento, cerca de 80% do total.
As placas saíram de zero em setembro de 2025 para 82.070 toneladas em setembro de 2026.
Houve também troca de origem no mês, segundo a Gazeta Mercantil. As compras vindas da China caíram de cerca de 263,4 mil para cerca de 138,1 mil toneladas, e a participação chinesa no volume importado passou de 59,1% para 23%.
No mesmo período o Vietnã saiu de 912 toneladas para cerca de 225 mil, chegando a 37,5% do volume do mês, ante 0,2% um ano antes.
Sobre essa troca de origem, a Gazeta Mercantil registra que não há elementos suficientes nos números agregados para atribuir a mudança a uma causa específica.
A reportagem conferiu a direção do mês na base primária. No Comex Stat, do MDIC, o capítulo 72, de ferro e aço, registra 576.525 toneladas importadas em setembro de 2026, com US$ 466,2 milhões em valor FOB.
O Comex Stat mede uma cesta mais estreita que a do Instituto Aço Brasil, e por desenho. A do instituto inclui itens do capítulo 73, como tubos com costura e acessórios para tubos, e deixa de fora o que não é produto siderúrgico, caso do ferro-gusa e da sucata.
As duas bases apontam a mesma direção no mês, com volumes diferentes porque medem cestas diferentes.
A fatia do importado no consumo
O número que o próprio instituto publica para isso é a taxa de penetração das importações. Ela ficou em 19,1% em setembro de 2026, contra 16,5% em setembro de 2025.
Essa taxa tem um corte declarado no boletim: para evitar dupla contagem, exclui as importações diretas feitas pelas próprias usinas.
Por isso o volume de importação que entra na conta é de 435.437 toneladas, e não as 600.041 do total do mês, sobre um consumo aparente de 2.281.706 toneladas.
No acumulado de janeiro a setembro, a taxa ficou em 18,5%, contra 21,5% no mesmo período de 2025.
No ano, o sinal se inverte
De janeiro a setembro de 2026, a importação acumulada ficou em 4.293.204 toneladas, contra 5.075.185 toneladas no mesmo período de 2025. É queda de 15,4% no acumulado do ano.
Nenhuma das fontes atribui esse recuo acumulado a uma causa. O boletim registra o número, e a Gazeta Mercantil diz apenas que a queda se dá desde o início de 2026.
A produção acumulada de aço bruto no mesmo intervalo foi de 24,566 milhões de toneladas, contra 25,000 milhões em janeiro a setembro de 2025, queda de 1,7%.
Em 15/10/2026 o instituto também divulgou o ICIA, o Indicador de Confiança da Indústria do Aço. Em outubro de 2026 o indicador marcou 44,0 pontos, alta de 1,9 ponto sobre os 42,1 pontos de setembro.
A linha divisória do ICIA é 50 pontos, e abaixo dela o que se mede é falta de confiança.
Com 44,0 pontos, outubro ficou 6,0 pontos abaixo dessa linha, e o release do instituto diz que a falta de confiança dos CEOs da indústria do aço acumula cinco meses seguidos.
As expectativas para os próximos seis meses marcaram 46,4 pontos, 1,3 ponto acima de setembro.
O ICIA mede confiança declarada por executivos da indústria do aço, não produção.
A conta de quem compra chapa
Esses números batem primeiro na pilha de bobina. Com o importado em 19,1% do consumo em setembro de 2026, contra 16,5% um ano antes, a decisão de quanto material deixar parado muda de peso.
A produção nacional 0,8% abaixo de setembro de 2025 entra na mesma conta. Estoque maior pede mais área coberta e mais movimentação por turno.
Na usina, a conta aparece também na boca do forno elétrico, onde a caçamba de sucata precisa chegar no ritmo do turno.
O acompanhamento mês a mês desses dados está nas notícias de indústria e centros de distribuição do site.
No porte que atende tanto a siderúrgica quanto o granel industrial, o mercado brasileiro tem linha de carregadeira de marcas como a Volvo CE e a XCMG, cada uma com sua própria rede e sua faixa de preço.
A Bruto Brasil ocupa essa faixa como opção de custo-benefício nacional em pequeno e médio porte. A BRT30 trabalha com 3.000 kg de carga e caçamba de 1,8 m³; a BRT35 sobe para 3.500 kg e 2,0 m³.
Nenhuma das três marcas é a melhor para todo pátio, e a escolha de porte se decide com dois números: o volume movimentado por turno e o espaço de manobra que a pá-carregadeira tem para girar.