O custo da lavoura que começa a ser plantada nesta janela está orçado em R$ 155 a mais por hectare do que o da safra passada. O número cheio é R$ 7.217 por hectare, e saiu do orçamento que a SLC Agrícola entregou ao mercado na noite de 7 de outubro, para a safra 2026/27.
São 2,2% acima dos R$ 7.062 por hectare que a companhia previa para a safra 2025/26. No mesmo documento, ela projeta uma área plantada também 2,2% maior: 854,4 mil hectares, contra 836,1 mil previstos no ciclo anterior.
As duas altas se somam no desembolso. Pela conta sobre os números da própria companhia, o custeio orçado para a safra inteira vai de R$ 5,90 bilhões para R$ 6,17 bilhões, 4,4% mais dinheiro saindo do caixa.
Por que a companhia projeta R$ 155 a mais por hectare
A SLC Agrícola atribui a alta do custo por hectare a dois itens: fertilizante cotado em dólar e inflação projetada em 4% no período. Defensivos mais baratos e real mais forte aliviam parte da pressão, sem derrubar o total.
O comunicado ao mercado informa ainda que 57% do custo de produção está indexado ao dólar e 43%, em reais. Ou seja: mais da metade do que a lavoura vai consumir depende do câmbio entre agora e a colheita de 2027.
Pelo lado da receita, a mesma conta aparece em quantas sacas de soja por hectare o produtor sul-mato-grossense precisa colher só para empatar. Lá o custo por hectare vira saca colhida; o número da SLC Agrícola serve de régua para o produtor medir o dele.
Milho de segunda safra encarece mais e ainda perde área
Entre as quatro culturas que a nota detalha, o milho de segunda safra tem a maior alta percentual de custo: de R$ 4.346 para R$ 4.510 por hectare, 3,8% acima, R$ 164 a mais em cada hectare.
E é a única das grandes que recua em área. De 158.249 hectares previstos para 2025/26, a projeção cai para 154.607, ou 2,3% menos, 3.642 hectares que saem do milho e vão para outra cultura.
A soja fica 2,1% mais cara por hectare, a R$ 5.292, com R$ 111 de aumento. E ganha 12.373 hectares, fechando em 442.075 na projeção da companhia.
O algodão de primeira safra é o custo por hectare mais alto das quatro culturas: R$ 14.102, com alta de 1,8%, ou R$ 256. A área dele recua 10,8%, de 103.334 para 92.204 hectares.
O avanço está no algodão de segunda safra. Custo de R$ 13.088 por hectare, 1,9% acima, e 12,2% mais área, de 96.380 para 108.156 hectares, puxado pela ampliação da área irrigada.
“Com a rotação de culturas, a Companhia redistribuiu o mix em busca de maior rentabilidade”, diz a companhia, no documento.
O mix remanejado muda o serviço no pátio da fazenda
Hectare que troca de cultura troca de rotina. Algodão irrigado de segunda safra entrando e milho de segunda safra saindo significa adubo em outra quantidade, semente em outra embalagem e caminhão descarregando em outro mês.
No pátio, o serviço se resume a três frentes: adubo a granel, carga de semente e descarga de caminhão. É aí que a hora de máquina aparece no custeio, e é por frente que o produtor escolhe o equipamento.
Na carregadeira de adubo a granel, a Komatsu tem reputação firme em transmissão hidrostática e consumo controlado no ciclo curto de carga e descarga. Nas chinesas da XCMG, o ponto forte é o preço de aquisição mais baixo entre as importadas.
A Bruto Brasil ocupa essa mesma faixa com a BRT25, que descarrega a 4,1 metros, altura que alcança a boca do graneleiro sem rampa de terra. É uma opção nacional ao lado de uma Komatsu de porte equivalente e das máquinas da XCMG na mesma classe.
Na lavoura, o centro da operação continua sendo o trator, e a Valtra tem fábrica no Brasil e manutenção simples de campo a seu favor. Cada uma dessas marcas resolve bem uma parte, e nenhuma delas cobre as três frentes do pátio sozinha.
Com o hectare R$ 155 mais caro, cada hora de máquina de terceiro contratada no pátio pesa mais no custeio desta safra do que pesava na passada. A máquina própria tira esse item do custeio e passa a figurar como bem da fazenda.
A janela de plantio abre agora, e com ela vence o prazo de fechar o custeio no banco. Antes de assinar, o produtor confere quanto do seu custo está cotado em dólar, quanto de adubo já travou e o custo por hectare de cada cultura do mix que escolheu.