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Soja e milho sobem, trigo cai 26,2% e a safra vai a 360,75 milhões de t

Fazendas e AgroPublicado em CompartilharTweetarPinterestWhatsApp
Soja e milho sobem, trigo cai 26,2% e a safra vai a 360,75 milhões de t

Enquanto a soja e o milho empurram a safra recorde de 2025/26 para 360,75 milhões de toneladas, o trigo anda para trás. São 5,81 milhões de toneladas do cereal, queda de 26,2%, com área plantada 20,4% menor.

Os dois números saíram juntos, em 13 de agosto, no 11º Levantamento da Conab. E é o contraste entre eles que mexe no que entra e no que sai do terreiro da fazenda nos próximos meses.

Do 10º para o 11º levantamento o total subiu de 360,1 milhões para 360,75 milhões de toneladas. Quem puxou foi o milho, que passou de 141,7 milhões para 142,96 milhões no intervalo de um mês.

Números que a Conab cravou em agosto

  • Produção total de 360,75 milhões de toneladas, 2,4% acima das 352,27 milhões de 2024/25, um acréscimo de 8,48 milhões.

  • Área cultivada de 83,5 milhões de hectares, 2,1% maior, com produtividade média de 4.322 quilos por hectare.

  • Soja em 180,46 milhões de toneladas, avanço de 5,2%, e milho em 142,96 milhões somadas as três safras.

  • Trigo em 5,81 milhões de toneladas, queda de 26,2%, com área plantada 20,4% menor.

Dentro do milho, o que cresce é a primeira safra: 29,49 milhões de toneladas, 18,2% acima do ciclo passado. A segunda safra, a safrinha que enche o armazém no meio do ano, recuou 1,9%, para 111,03 milhões.

Nem todo mundo colheu para cima. O arroz caiu 13,1%, para 11,08 milhões de toneladas, com área 14% menor, e o feijão recuou 3,2%.

Do lado da soja, a estimativa quase não se mexeu de um levantamento para o outro: 180,6 milhões de toneladas em julho viraram 180,46 milhões em agosto. Mato Grosso sozinho responde por 51,6 milhões desse volume.

Vale reparar de onde veio o ganho do ciclo. A produtividade média ficou em 4.322 quilos por hectare, contra 4.311 projetados em julho, ou seja, o avanço saiu muito mais da área plantada do que do rendimento de cada hectare.

Grão a mais aperta a hora da descarga

Oito milhões e meio de toneladas a mais não chegam espalhadas pelo ano. Chegam de caminhão, na janela curta da colheita, e param na balança da fazenda ou na fila do armazém de terceiro.

Com a soja em 180,46 milhões de toneladas e o milho perto de 143 milhões, o aperto sai da lavoura e vai para o terreiro. Quem tem silo próprio segura a saca e escolhe a hora de vender; quem não tem embarca no pico e aceita o preço que aparecer.

Na entressafra a decisão muda de natureza: o que fica guardado, o que segue para a indústria e o que vira ração dentro da porteira. Cada uma dessas saídas pede carga e descarga em algum ponto do ano.

No campo o serviço se divide. Colheitadeira e trator puxam o graneleiro até a beira do talhão; no pátio, a carregadeira enche a moega, revira pilha e tira resíduo.

Boa parte dessas máquinas é montada no Brasil. A John Deere fabrica colheitadeiras e plantadeiras em Horizontina, no Rio Grande do Sul, e tratores em Montenegro, no mesmo estado.

A Massey Ferguson monta trator em Canoas, também gaúcha, pela AGCO. Já a Valtra produz em Mogi das Cruzes, em São Paulo, onde funciona desde 1960 a primeira fábrica de tratores instalada no país.

Na carregadeira, a Bruto Brasil monta no país e concentra a linha no porte médio, faixa que dá conta do serviço de pátio na fazenda.

E parte do milho nem cruza a porteira. Vira trato no confinamento e no aviário, o giro que sustenta boa parte da operação nas fazendas brasileiras entre uma colheita e outra.

Trigo menor abre buraco no moinho

Com o trigo, a conta anda no sentido inverso. A Conab cortou a projeção de 6 milhões de toneladas em julho para 5,81 milhões em agosto, 26,2% abaixo de 2025, com área plantada 20,4% menor.

Menos trigo no inverno significa menos máquina rodando no Sul entre junho e outubro. Significa também menos carga entrando no armazém justamente na janela em que ele costuma respirar.

A retração veio do menor investimento do produtor e da expectativa de clima adverso, segundo a Conab. A decisão foi tomada lá atrás, na hora do plantio, e só agora aparece no número da colheita.

E a terra que saiu do trigo não sumiu do mapa. O que o produtor puser no lugar é o que define o serviço de máquina no inverno seguinte.

Só que o pão não encolheu junto. A Conab projeta consumo interno de 12 milhões de toneladas em 2026, mais que o dobro do que a lavoura brasileira vai colher neste ano.

A diferença vem de fora. A companhia estima importação de 7,103 milhões de toneladas no ano-safra 2026/27, mais de 20% acima do ciclo anterior e o maior volume desde 2006/07, quando entraram 7,164 milhões.

A Argentina segue como o principal fornecedor. Os moinhos reclamaram da qualidade do cereal do ciclo passado e compraram menos no primeiro semestre, o que empurra a fila para a virada do ano.

A mesma safra que joga 8,48 milhões de toneladas a mais no terreiro deixa o moinho comprando 7,1 milhões de toneladas de trigo lá fora. Sobra grão de verão na fazenda e falta cereal de inverno na esteira da moagem.

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