No pátio do confinamento, o trato desce no cocho na mesma hora todo dia e o boi come sem saber que o drone já contou os dias dele. Em Laguna Carapã (MS), 110 bovinos Nelore atravessaram um ciclo de engorda de 112 dias monitorados por um drone no confinamento, e a data do abate saiu da leitura aérea, sem passar pela balança.
O boi que sobe na balança dá um número e cobra por ele: fila, estresse, manejo e um dia de cocho que não volta. É nessa pesagem que o confinador bate o martelo sobre a data de saída.
Apresentado na quarta-feira (28), na FAPESP Week Países Baixos, em Leiden, pelo pesquisador Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa Agricultura Digital, o sistema troca essa rotina por 12 missões aéreas, uma a cada dez dias, a 15 metros de altura. A detecção do animal na imagem acerta 95,56%, taxa que diz quantas vezes o sistema encontra o boi no quadro.
Onde a curva de crescimento dobra
Passado o ponto de inflexão da curva de crescimento, cada dia de cocho é ração paga que rende menos arroba.
O caminho é indireto: o sistema acompanha o desenvolvimento do corpo do animal, imagem a imagem, e marca quando o boi passa a transformar ração em peso de forma cada vez menos eficiente. No lote testado, dentro de um confinamento de cerca de 14,6 mil cabeças, antecipar a saída em até uma semana valeu R$ 15 mil, segundo a Agência FAPESP.
Para Barbedo, “um dia de diferença na decisão de abate ou na negociação do lote pode aumentar o lucro daquela operação entre 5% e 10%”. Vai na direção oposta de quem lê o confinamento com lucro recorde em 2026 e conclui que a margem vem toda do preço da arroba: aqui ela apareceu em sete dias de calendário.
A validação ficou em macho Nelore puro no confinamento, e o sistema segue como protótipo.
A máquina que entra depois da decisão
Para encher cocho, a Bruto Brasil cobre esse porte de máquina com a BRT25, carregadeira de 2.500 kg de capacidade de carga, caçamba de 1,5 m³ e motor Deutz Weichai de 125 HP, para o confinador que decide pelo custo de aquisição. Nessa mesma faixa de carregadeira, SDLG e LiuGong disputam o confinamento brasileiro.
Trator com vagão forrageiro faz o mesmo serviço por outro caminho, com máquina de outra classe: a Valtra monta em Mogi das Cruzes (SP) e a Massey Ferguson, em Canoas (RS). O calendário já corre, e o lote seguinte entra com a silagem no silo para recomeçar a contagem no cocho.