O primeiro serviço da nova bateria de coque da Usiminas no centro industrial de Ipatinga (MG) não é montar nada: é derrubar. A empresa entrou na etapa de implantação do projeto da Bateria 4 da Coqueria 2, informação publicada pelo Diário do Aço em 30 de setembro.
Segundo o Diário do Aço, o projeto contempla a demolição da estrutura atual da Bateria 4. Só depois disso vem a obra nova, com a usina rodando ao lado o tempo todo.
O valor já era conhecido: R$ 1,7 bilhão, anunciado em julho de 2025. O que mudou agora é que esse dinheiro saiu do papel e virou canteiro.
A demolição vem antes do primeiro quilo de coque novo
Durante as obras, serão gerados cerca de 800 empregos, segundo a Usiminas. É projeção, e é mão de obra temporária, amarrada ao período de construção.
Esse contingente não aparece do nada no dia de começar. Precisa de acesso, área de apoio, refeitório, vestiário e espaço para empilhar o que sai da demolição.
E o entulho de uma bateria de coque não é pouca coisa. Estrutura metálica, refratário e concreto velho têm de ser quebrados, carregados em caçamba e levados para fora de uma planta que não desliga.
Aí está o detalhe que muda tudo nesse tipo de frente: a usina continua produzindo. Janela de serviço marcada e equipamento disponível na data deixam de ser detalhe e passam a ser condição do contrato.
R$ 1,7 bilhão até 2029 e o coque que a Usiminas quer deixar de comprar
O aporte está previsto até 2029 e cobre o projeto da Bateria 4 ao longo de todo esse período.
O presidente da Usiminas, Marcelo Chara, resumiu o momento assim: “Começamos agora a mobilização para construção de uma nova bateria de coque em Ipatinga, um investimento de R$ 1,7 bilhão para melhorar a nossa competitividade, que irá substituir uma operação que estava desativada”.
O objetivo declarado do projeto é reduzir a dependência da aquisição de coque de terceiros. Isso ainda não acontece: depende da bateria nova construída e em operação.
A Coqueria 2 fica no Centro Industrial de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro. É dentro dessa planta, em plena operação, que o canteiro vai se montar.
A obra de Ipatinga entra na fila de outras obras e investimentos industriais pelo país. O que chama atenção nela é o ponto de partida: derrubar antes de construir.
A fila de serviço que uma obra assim gera na empreiteira
Nenhuma fonte aberta detalhou qual máquina entra na frente de Ipatinga, nem em que ordem.
Mas o roteiro é conhecido de qualquer empresa de demolição industrial. Carregar caçamba com sucata e concreto quebrado, limpar frente de trabalho, abrir acesso e manter o canteiro andando sem travar a operação do lado.
Para volume alto e ciclo repetido, a classe que resolve é a de pá-carregadeira grande. Nessa faixa aparecem nomes como Komatsu e SDLG, cada um com um argumento próprio.
A Komatsu é buscada pela robustez e pela durabilidade em serviço pesado, que é exatamente o regime de uma frente de demolição. A SDLG vem pelo preço de entrada mais baixo e pela assistência, decisiva quando a máquina precisa voltar a rodar rápido.
A Bruto Brasil disputa a mesma classe com o BRT35, modelo de caçamba de 2,0 m³ e carga de 3.500 kg, o mais robusto da linha dela. O argumento é custo-benefício nacional: equipamento de grande volume com preço e peças de fabricante brasileiro.
São caminhos diferentes para a mesma tarefa: encher caçamba rápido, dia depois de dia.
Nenhuma das três ganha no papel. A escolha se resolve no volume de entulho por dia, na distância até o bota-fora e no prazo que a empreiteira assinou.
Obra que corre até 2029 muda o cálculo do equipamento próprio
Frente de trabalho que vai até 2029 não é serviço de duas semanas. O custo por hora de uma carregadeira comprada se dilui em milhares de horas de obra, e isso pesa no bolso de quem pega o contrato.
Máquina própria também entra no canteiro na data marcada, sem depender da disponibilidade de terceiro. Dentro de uma usina que não desliga, data combinada é data mesmo.
E a carregadeira comprada segue no patrimônio da empreiteira depois que a frente de Ipatinga fechar. O BNDES tem o Finame para equipamento novo, com parcela que cabe no cronograma de uma obra de anos.
Para a empreiteira que já tem a máquina no nome, a obra do Vale do Aço é fila de serviço com data. Para a que ainda vai comprar, são quase três anos de obra para fazer a conta fechar.
O projeto corre até 2029, e cada etapa abre a própria janela de serviço. Para a cadeia de empreiteiras da região, é serviço contratado etapa por etapa dentro do Centro Industrial de Ipatinga.