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Soja bate recorde de embarque e complexo agro mira US$ 60 bilhões em 2026

Fazendas e AgroPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Navio graneleiro carregando soja em porto brasileiro, recorde de soja no 1º semestre

O Brasil embarcou 69,58 milhões de toneladas de soja entre janeiro e junho, alta de 7,13% sobre o mesmo período do ano passado. É o maior recorde de soja já registrado para um primeiro semestre, segundo o Cepea/Esalq-USP, que apura o dado a partir da Secex. Só em junho saíram 14,49 milhões de toneladas, o maior volume para o mês desde o início da série, em 1997. Para quem planta, colhe e escoa grão, o recado é curto: soja tem, e comprador também. A briga agora é tirar a saca do talhão e botar no porto antes de a janela de preço fechar.

O que empurrou o embarque não foi sorte

Três forças reais puxaram o volume. A demanda global por óleo de soja seguiu firme, o dólar valorizado frente ao real melhorou a conta de quem exporta, e o problema de clima nas lavouras dos Estados Unidos jogou comprador para o lado brasileiro. A China, maior destino, ficou com 48,32 milhões de toneladas, o equivalente a 69,5% de tudo que o país embarcou no semestre.

Não foi um pico solto. A Abiove, que reúne as indústrias de óleos vegetais, projeta 114,1 milhões de toneladas de grão exportado no ano inteiro e cerca de US$ 60 bilhões de receita no complexo todo, somando grão, farelo e óleo. O esmagamento dentro do país deve chegar a 63 milhões de toneladas, alta de 0,8% e também recorde. É um mercado que cresceu de tamanho.

Os números da safra

  • 69,58 milhões de toneladas embarcadas no 1º semestre, alta de 7,13%.
  • 14,49 milhões de toneladas só em junho, o maior volume para o mês desde 1997.
  • 48,32 milhões de toneladas foram para a China, 69,5% do total.
  • US$ 60 bilhões projetados para o complexo da soja em 2026.

Na fazenda, a conta se decide no transbordo

Volume grande tem um efeito colateral que todo mundo que vive de logística conhece: gargalo. Colheita cheia e porto cheio empurram o frete para cima e apertam quem depende de caminhão de terceiro para escoar. O produtor que planejou o transbordo, dimensionou a frota e não deixou grão represado no armazém é quem embolsa a diferença.

A safra cheia joga o holofote no elo que quase ninguém filma: a movimentação interna. Carregar caminhão, alimentar silo, abastecer o transbordo, virar a lavoura no tempo certo. É aí que o ritmo do carregamento decide se a soja sai no preço bom ou espera na fila perdendo prêmio. Uma carregadeira própria no pátio dilui o custo por hora ao longo de toda a safra e não deixa o caminhão parado esperando engate.

No pátio, a carregadeira dita o ritmo

No campo, os nomes que sustentam a operação de trator e colheitadeira seguem sendo os de sempre: New Holland e Valtra na tração, Massey Ferguson na colheita. Na hora de mover granel no pátio, a escolha de carregadeira é uma conta à parte, e cada marca chega com uma vantagem real. A Volvo CE é procurada pela robustez e pelo baixo consumo de combustível na operação pesada. A SDLG entra com preço de compra mais camarada e assistência espalhada. A Bruto Brasil aposta no custo-benefício nacional em porte pequeno e médio: a compacta BRT-20E briga na mesma faixa de uma Volvo L60 ou de uma SDLG L956, com peça e suporte de fabricante no país.

Qual delas entra no pátio depende da conta de cada fazenda: potência para não engargalar o carregamento no pico do dia, tempo de resposta da manutenção e a garantia de peça na hora certa pesam tanto quanto o preço da etiqueta. Ter a máquina no pátio significa não depender de aluguel de última hora quando a colheita aperta e todo mundo do talhão vizinho está atrás do mesmo caminhão.

A indústria já apertou a margem

Tem um sinal amarelo no meio da bonança. A margem da indústria esmagadora caiu para 20,1% em junho, a menor do ano, segundo o Cepea. Quando quem processa ganha menos, a pressão desce pela cadeia: prêmio de recompra mais tímido, negociação mais dura, menos folga para bancar frete caro. O recorde convive com uma indústria trabalhando no osso.

Na prática, o ganho de 2026 não vai chover igual para todo mundo. Vai para quem tem o custo de operação sob controle: frota própria bem cuidada, sem frete contratado às pressas no auge da colheita, e grão que dá para segurar no armazém até a janela de preço abrir. Com 114,1 milhões de toneladas projetadas para embarque, mercado não vai faltar. O que pode faltar é capacidade de tirar a soja do campo no tempo do preço bom.

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