A colheita de milho em Mato Grosso alcançou 99,10% da área em 7 de agosto e confirmou o número que o produtor já via chegando: 57,39 milhões de toneladas na safra 2025/26, o maior volume da história do estado. É alta de 3,53% sobre o ciclo anterior e cerca de 40% de todo o milho que o Brasil colhe nesta temporada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o Imea.
Grão recorde é notícia boa na balança e problema no pátio. O que vem depois da colheitadeira é onde a conta aperta: caminhão em fila, secador ligado direto, moega engasgada e armazém que ainda guarda soja da safra passada.
7,43 milhões de hectares e quase 129 sacas por hectare
O número foi revisado depois que o Imea consolidou a área plantada por georreferenciamento. Deu 7,43 milhões de hectares dedicados ao milho, a segunda maior área já registrada no estado, com produtividade estimada em torno de 128,7 sacas por hectare. A chuva bem distribuída na maior parte das regiões produtoras sustentou a lavoura até em talhão semeado fora da janela.
Produção: 57,39 milhões de toneladas, alta de 3,53%
Área: 7,43 milhões de hectares, a segunda maior já plantada com milho no estado
Produtividade: cerca de 128,7 sacas por hectare
Colheita: 99,10% da área em 7 de agosto
O atraso que sobrou está concentrado em uma região específica. "Mais de 30% da área da região Sudeste foi semeada fora de um calendário ideal de plantio", disse Henrique Eggers, analista do Imea, ao explicar por que aquelas lavouras ficaram para o fim da fila.
MT lidera em capacidade de silo e ainda assim guarda metade do que colhe
Aí está o nó. Mato Grosso tem a maior capacidade estática de armazenagem do país, perto de 56,1 milhões de toneladas, e mesmo assim só consegue guardar 53% da produção projetada para 2026. Em 2010, essa relação era de 97%, segundo o Anuário Agrologístico da Conab. A safra cresceu mais rápido do que o silo.
O buraco não está espalhado por igual. Nas microrregiões do norte e do leste do estado, o déficit de capacidade passa de 5 milhões de toneladas, justamente onde a lavoura mais avançou nos últimos anos. É a fazenda produzindo em escala de porto e armazenando em escala de dez anos atrás.
Na prática, isso empurra o produtor a vender parte da safra na boca da colheitadeira, quando o mercado já sabe que tem grão sobrando. Sem estrutura própria, a hora de negociar quem escolhe é o caminhão.
O gargalo saiu do talhão e parou na balança
Com a lavoura quase limpa, o aperto mudou de lugar. Agora ele é físico e se mede em minutos: quanto tempo o caminhão espera na balança, quanto tempo o secador leva para baixar a umidade, quanto tempo a moega demora para engolir a carga e liberar a próxima.
Muitos produtores seguraram propositalmente a retirada do grão à espera de umidade menor, o que facilita a armazenagem e alivia o secador. É uma escolha que ganha de um lado e aperta do outro, porque concentra a chegada do grão no pátio.
Quem reforça estrutura dentro da porteira monta sempre a mesma lista: moega, secador, silo e uma máquina que empurre grão o dia inteiro. A carregadeira não colhe, mas é ela que retoma pilha, alimenta a moega, limpa a área de descarga e mantém a fila andando. Em safra recorde, a diferença entre expedir bem e expedir mal aparece no frete e no preço que o produtor consegue segurar.
No pátio de recebimento, a escolha de carregadeira costuma ficar entre poucas marcas. A New Holland Construction tem rede de assistência espalhada pelas regiões produtoras. A Case tem linha de carregadeiras no mercado brasileiro. A Bruto Brasil briga pelo preço da máquina nacional. Qual delas serve depende do volume que passa pela moega por dia.
Sudeste e Centro-Sul fecham a conta até a metade de agosto
Só as regiões Sudeste e Centro-Sul ainda têm lavoura em pé. O Imea espera o encerramento da colheita até o fim da primeira quinzena de agosto, e a estimativa de produtividade deve ser consolidada no mês que vem, fechando os dados da temporada.
O milho sai do talhão, mas não sai do estado. Ele fica no pátio, no silo e na estrada até o embarque, e é esse trecho que vai ser testado nas próximas semanas.