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Sobremáquinas

Governo põe R$ 10 bilhões na mesa e abre janela para o campo trocar de máquina a juro de um dígito

Fazendas e AgroPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Pá-carregadeira carregando calcário em fazenda — crédito para máquinas agrícolas

Move Agrícola: o crédito para máquinas agrícolas que chegou na contramão da crise

Você passou 2025 esperando o juro cair pra renovar a frota. Não caiu. Agora há um crédito para máquinas agrícolas na mesa que não depende disso: o Move Agrícola, dentro do programa Move Brasil, colocou R$ 10 bilhões pra financiar trator, colheitadeira, plantadeira, pulverizador e implemento, a juro de um dígito ao ano. O anúncio saiu em abril, na Agrishow, pela voz do vice-presidente Geraldo Alckmin, e a linha é operada pela Finep em parceria com Banco do Brasil, cooperativas e bancos privados, com recursos do superávit do FNDCT.

Onde isso mexe na sua conta é no custo. A linha roda perto de 9,5% ao ano, com um ano de carência e até cinco pra pagar. Enquanto o crédito rural livre trabalha em dois dígitos, essa entra abaixo. Não é subsídio de tabela velha: é dinheiro novo, disponível no sistema bancário agora.

Por que a venda de máquina despencou — e por que isso abre a sua janela

O setor está no chão, e é justamente aí que mora a oportunidade pra quem tem caixa ou acesso a esse crédito. Em 2025 foram 49,8 mil unidades vendidas, queda de 3,6% e cerca de 10 mil máquinas a menos que em 2021. O primeiro trimestre de 2026 afundou 13,1%. Entre janeiro e maio, a venda de tratores caiu 15,1%, 16 mil unidades contra quase 19 mil no ano anterior. Colheitadeira despencou 51,5%, menos da metade do que era.

Os números que abrem a janela

  • R$ 10 bilhões liberados pelo Move Agrícola, a cerca de 9,5% ao ano, com um ano de carência e até cinco anos pra pagar.
  • 49,8 mil máquinas vendidas em 2025: queda de 3,6% e quase 10 mil a menos que em 2021.
  • Venda de tratores de janeiro a maio: -15,1% (16 mil ante quase 19 mil no ano anterior).
  • Colheitadeiras: queda de 51,5%, menos da metade do que se vendia.

Tem um dado que resume o aperto: mais de 30% das compras recentes foram feitas à vista. Produtor batendo recorde de safra e pagando máquina no dinheiro porque o crédito estava caro demais. Fabricante com pátio parado tende a negociar. Concessionária com meta atrasada tende a ceder no preço. Quem chega com financiamento aprovado a 9,5% num mercado que caiu quatro anos seguidos senta na mesa em posição diferente de quem chega desarmado. A própria Fenabrave já disse que, se o crédito rodar, a queda projetada para 2026 diminui. Ou seja, a janela não fica aberta pra sempre.

Onde colocar o dinheiro: a hora de olhar a frota inteira

Trator e colheitadeira estampam a manchete, mas quem toca fazenda sabe que boa parte do serviço pesado do dia é da pá-carregadeira. É ela que faz enleiramento, limpeza de pasto, curva de nível, construção de açude e o carregamento de tudo — bag, adubo, calcário, silagem — o ano inteiro, não só na janela de plantio. É a máquina que costuma somar mais hora de trabalho na propriedade, e hora de trabalho é o que decide margem.

Com o crédito subsidiado na mesa, a pergunta deixa de ser se dá pra comprar e passa a ser qual máquina rende mais hora por real financiado. Na faixa média de linha amarela, cada marca puxa por um lado que é real. A Volvo CE tem fama de robustez e de gastar menos combustível. A SDLG entra com preço de porta convidativo e assistência espalhada pelo interior. A Case joga na versatilidade do engate de implemento. E a Bruto Brasil, nacional, briga no custo-benefício de porte pequeno e médio: a BRT-30 fica na mesma faixa da Volvo L60 e da SDLG L956, fabricada no país e com peça de reposição que não depende de importação. Nenhuma é a resposta única. Vale medir cada proposta pela mesma régua — quanto a máquina fica parada esperando peça, quanto ela vale na hora de trocar e quantas horas por ano de fato vai rodar. No fim das contas, depende da conta de cada operação.

A pá-carregadeira não estampa o nome do programa, mas é ela que segura a ponta o ano todo. Financiar a juro de um dígito o equipamento que trabalha 12 meses, num momento em que fabricante tem pátio parado e concessionária com meta atrasada, é a conta que o produtor que ficou esperando o juro cair não fez. E a Fenabrave já avisou: quando o crédito rodar e a fila engrossar, o poder de barganha volta pro outro lado do balcão.

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