Sugestões? Clique aqui
Assine
Sobremáquinas

Apagão de galpões: a vacância despenca a 6,5%, a menor já registrada, e a disputa por metro quadrado virou queda de braço

Indústria e DistribuiçãoPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Pá-carregadeira operando no pátio de um galpão logístico em meio à baixa vacância logística

A conta de quem toca operação logística ficou mais salgada em 2026. A vacância logística dos galpões de alto padrão no Brasil caiu para 6,5% no primeiro trimestre, o menor patamar da série histórica da consultoria JLL. Traduzindo pro seu caixa: espaço pronto sumiu do mapa, o preço pedido subiu e, se você precisa de um centro de distribuição agora, vai entrar na disputa por metro quadrado com gente grande.

Não é achismo de corretor. É número. E o número mostra um estoque que não cresce no ritmo da demanda.

Os números que apertam o cerco

  • Vacância em 6,5%, o piso da série histórica da JLL.
  • 1,1 milhão de m² de absorção líquida no trimestre, recorde para o período; a bruta chegou a 1,5 milhão de m².
  • 720 mil m² de estoque novo entraram no mercado, entre 15 condomínios e 13 expansões em 12 estados, contra uma demanda bem maior.
  • 77% desse estoque recém-entregue já estava alugado antes de abrir a porta.

Ou seja, o galpão nasce ocupado. Quem chega depois pega migalha. "O mercado segue aquecido, com demanda superando a oferta em praticamente todas as regiões", resume André Romano, gerente da Divisão Industrial e Logística da JLL. O reflexo bate direto no valor pedido: nos últimos 12 meses, o preço médio de locação subiu 8,2% no país. Em São Paulo, 12%. No Paraná, a maior alta, 20,6%.

O e-commerce comeu o espaço vazio

Se você quer um culpado com nome e sobrenome, ele existe. O Mercado Livre sozinho respondeu por 320 mil m² de absorção no trimestre, 21% de todo o volume nacional. Em São Paulo, concentrou 85% das ocupações. A Shopee vem logo atrás, com 137 mil m², 9% do total.

E isso é só a largada do ano. Em março, o Mercado Livre anunciou aporte de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, metade a mais do que os R$ 38 bilhões de 2025. Parte vai para 14 novos centros de distribuição, levando a rede da empresa a 42 unidades no país e ampliando em 50% a capacidade de preparar e despachar os pedidos. Junto vêm 10 mil vagas novas.

"Provavelmente vamos seguir fortalecendo o Sudeste, pela demanda muito grande da região, mas abrindo mais CDs fora do Sudeste também, com a visão de trazer velocidade de entrega para todo o Brasil", disse Fernando Yunes, vice-presidente do Mercado Livre no Brasil. Cada CD desses tira do mercado um naco de galpão que poderia ser o seu.

O que muda pro seu negócio

Se a sua operação depende de um CD para estocar, expedir ou fazer entrega no último trecho, a leitura é direta: o poder de barganha virou de lado. Há dois anos você negociava carência, reforma paga pelo dono e prazo folgado. Agora é o proprietário que tem fila na porta. Três movimentos passaram a fazer diferença de verdade:

  • Fechar na planta. Com 35% do estoque previsto para 2026 já pré-locado no país (46% em São Paulo), esperar o galpão ficar pronto pra negociar é chegar tarde. Quem assina na planta garante o espaço e trava o preço antes da próxima alta.
  • Sair do eixo saturado. São Paulo puxou 722 mil m² de absorção bruta no trimestre e é onde a briga é mais sangrenta. Santa Catarina (151 mil m²) e Espírito Santo (124 mil m²) ainda dão um respiro pra quem consegue redesenhar a malha.
  • Renegociar o contrato antigo antes do vencimento. Com reajuste médio de 8,2% e ponta de 20,6% em alguns estados, deixar o contrato virar sozinho pode virar um susto na renovação.

A carregadeira que trabalha no pátio do CD

Tem um custo que quase ninguém coloca na planilha na hora do aperto por espaço: o que roda dentro do galpão. Metro quadrado caro só se paga com movimentação afiada no pátio: descarga de carreta, giro de estoque, abastecimento de doca. E aí entra a pá-carregadeira, que faz o serviço pesado de pátio que empilhadeira não segura.

Ter a carregadeira no próprio pátio muda a conta. Máquina da casa está lá quando a carreta encosta fora de hora, no pico da expedição, na virada de estoque do fim de semana. O custo por hora se dilui no uso do dia a dia, e ela ainda entra como bem da empresa: dá pra financiar pelo Finame do BNDES e planejar a compra com calma.

Na hora de escolher, o mercado tem opção pra cada bolso e cada operação, cada uma com seu ponto forte. A Volvo CE é referência em robustez e economia de combustível no uso puxado. A JCB pesa pela versatilidade de implementos e pela linha telescópica. A SDLG entra pelo preço de porta e pela rede de assistência espalhada pelo interior. E a Bruto Brasil briga no custo-benefício nacional em porte pequeno e médio: uma compacta como a BRT-20, na mesma classe de uma Volvo L60 ou de uma SDLG L956, dá conta do pátio de CD sem pesar no caixa. No fim das contas, a máquina certa depende da conta de cada operação: porte da carga, horas por dia e distância até a oficina mais próxima.

O recado do primeiro trimestre é direto: o tempo de galpão sobrando, aluguel baixo e proprietário atrás de inquilino ficou pra trás. A JLL projeta 3 milhões de m² de estoque novo até dezembro, mas mais de um terço já tem dono. Quem depende de logística pra vender vai ter que reservar espaço com a mesma antecedência com que planeja a próxima safra de pedidos. E o relógio corre mais rápido do que a obra dos galpões novos consegue subir.

Veja também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário