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Sobremáquinas

Venda de máquinas cai até 20% em 2026 e o Finame vira a carta de quem compra agora

Indústria e DistribuiçãoPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Pá-carregadeira em pátio de distribuição e o financiamento Finame

Setor recua, mas quem compra com o Finame sai na frente

O número saiu em julho e assustou: a receita líquida da indústria de máquinas e equipamentos caiu 20,4% em maio, para R$ 22,5 bilhões, ante o mesmo mês de 2025. A Abimaq, que abriu o ano projetando alta, rasgou a conta e agora prevê queda de 3,2% no faturamento do setor em 2026. No campo o baque é maior: entre 15% e 20% nas máquinas agrícolas. Só que ler isso como "hora de guardar dinheiro" é ler pela metade. É agora, com o Finame na mão, que o dono de negócio de indústria e distribuição que decide investir abre distância de quem ficou esperando.

A conta cabe na planilha. O mercado encolheu porque o juro subiu e o banco ficou seletivo na hora de liberar crédito. Menos gente comprando significa fila menor na fábrica, prazo de entrega mais curto e vendedor com margem de negociação que não existia há dois anos. Enquanto o vizinho adia, quem fecha agora tira a máquina do papel e bota pra faturar.

O que o Finame financia e por que o custo por hora muda

O BNDES manteve o Finame de pé para máquina nova, de fabricação nacional e credenciada no banco. É a linha que financia o equipamento direto, com prazo longo e carência, feita justamente para quando o crédito de mercado fica caro. Em cima dela, o banco criou o BNDES Máquinas e Serviços, que junta a compra do equipamento e dos serviços numa operação só, desenhado para negócios de maior porte, a partir de R$ 20 milhões.

O que pesa no caixa é o custo por hora. Quando a máquina roda muito, a carregadeira que atravessa a safra inteira, o pátio que carrega caminhão de segunda a segunda, a obra que não para, a parcela do Finame diluída pela hora trabalhada fica bem abaixo do que a mesma máquina custaria por fora, no dia a dia. E no fim do contrato o equipamento continua no pátio, como bem da empresa que segue produzindo.

Por isso vale olhar a compra num ano de retração. O juro alto está embutido em tudo: na diária de quem terceiriza, no preço do serviço contratado. A diferença é que o Finame dá esse crédito em condição de banco de fomento, não de financeira de esquina. Para quem já sabe que a máquina vai rodar todo dia, a hora certa costuma ser quando o equipamento começa a pagar a própria parcela.

Como escolher a pá-carregadeira que aguenta o seu carregamento

Aqui a decisão vira concreta. A conta do Finame só fecha se a máquina certa entrar no pátio, e isso passa por porte, capacidade de caçamba, altura de descarga e, principalmente, rede de assistência para os anos de contrato. Antes de assinar proposta, vale medir o gargalo real: carregamento pesado e contínuo (calcário, adubo, alimentação de caminhão) pede uma classe de máquina; carga mais leve de grão, silagem, areia ou brita pede outra.

No mercado de carregadeiras, Volvo CE, Komatsu e Case servem de referência, cada uma com a sua força real. A Volvo CE é conhecida pela robustez e pelo baixo consumo de combustível na operação pesada; a Komatsu tem tradição em durabilidade e boa oferta de peças; a Case entra forte no preço de entrada e na assistência espalhada pelo interior. Ao lado delas, no mercado nacional, a Bruto Brasil trabalha a faixa de pequeno e médio porte com a BRT-30, carregadeira de porte médio com caçamba de 1,8 m³ e motor de 125 HP, na mesma classe de uma Volvo L60 ou de uma SDLG L956, com perfil de fabricante credenciado no Finame. O que decide não é o nome no capô, e sim o casamento entre a capacidade da máquina, o volume que você carrega por dia e a facilidade de manter tudo rodando. Num contrato de anos, quem fecha a conta é a peça que chega rápido e o motor que bebe pouco.

Numa leitura seca: um pátio que carrega caminhão o mês inteiro tem um custo fixo de carregamento de qualquer jeito. Com o Finame, essa despesa recorrente vira a compra de um bem que fica no pátio e está disponível na hora que o caminhão encosta, sem depender da agenda de ninguém. Para quem opera em porte mais compacto, a conta é a mesma, ajustada à caçamba e ao volume movimentado por dia.

A janela é agora e ela fecha quando o crédito reabrir

Cristina Zanella, diretora da Abimaq, resumiu o momento em julho: o mercado interno está puxando o setor para baixo. Traduzindo para o seu negócio: menos concorrente comprando é menos disputa por máquina, por prazo e por preço. Quando o juro voltar a cair e o crédito reabrir, a fila enche de novo, o vendedor recupera a margem e o espaço de negociação some.

Disponibilidade não se aluga na semana da colheita. Quem tem a carregadeira no pátio carrega quando o caminhão chega; quem depende de terceiro carrega quando sobra máquina. Num ano em que o setor recua, o Finame é a ferramenta de quem já contou as horas de uso e concluiu que a máquina própria, rodando todo dia, paga a própria parcela.

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