Tem estado com fábrica acelerando enquanto a média do país anda pra trás. O Rio Grande do Sul cresceu 3,7% em junho, a maior alta entre os locais pesquisados, a Bahia subiu 2,7% e a indústria de Mato Grosso roda acima da média nacional. Pra quem tem planta ou centro de distribuição, é esse recorte do desempenho industrial que decide pedido e estoque, não a média: importa o pedaço do mapa onde a sua carga embarca.
Os números são da PIM Regional, divulgada pelo IBGE na terça-feira (11). O retrato do desempenho industrial de junho é desigual: na comparação com maio, já descontado o efeito de calendário, 12 dos 15 locais pesquisados produziram menos — mas quem cresceu, cresceu forte.
Onde a roda girou em junho
Rio Grande do Sul: alta de 3,7% sobre maio, a maior do país. De uma vez, o estado zerou a perda de 3,5% somada em abril e maio, puxado por veículos, alimentos, derivados de petróleo e produtos de metal.
Bahia: avanço de 2,7% em junho, reação depois do tombo de 9,2% em maio.
Mato Grosso: crescimento de 6,1% sobre junho de 2025, bem acima da média nacional de 1,7% nessa base.
Espírito Santo: maior salto na comparação anual, de 12,2%, com o Rio de Janeiro (6,3%) logo atrás.
Na outra ponta, o Amazonas teve a maior queda ante maio, de 11,3%, e São Paulo, o maior parque fabril do país, recuou 3,2%. Pernambuco também fechou junho no vermelho na base anual, com perda de 5,2%.
As duas contas que não se misturam
O mesmo levantamento carrega duas réguas, e trocar uma pela outra leva a decisão errada. Na régua mensal, com ajuste sazonal, a fraqueza foi espalhada: 12 de 15 locais no negativo e recuo de 1,8% na média do país.
Na régua anual, contra junho de 2025, a foto vira: 8 dos 18 locais pesquisados cresceram e a média nacional subiu 1,7%. O próprio IBGE lembra que junho deste ano teve um dia útil a mais que o do ano passado, o que ajuda essa comparação.
O que o dono faz com esse mapa
Quem vende pra indústria gaúcha ou pro agro de Mato Grosso tem sinal verde pra trabalhar com estoque mais cheio e doca desimpedida: pedido em alta não espera reposição lenta. Já quem depende de São Paulo ou do polo de Manaus faz a conta inversa: giro mais curto, compra casada com a carteira e menos carga parada no pátio.
A hora de máquina segue a mesma lógica. Onde a expedição acelera, a fila na doca vira gargalo; onde o pedido rareia, o caminho é concentrar turnos e movimentação pra diluir o custo de cada hora rodada. Esse raciocínio de custo de pátio aparece com frequência na nossa seção de indústria e centros de distribuição.
O que vem no calendário
A régua até a próxima PIM, no início de setembro, é interna: onde o pedido acelera, doca livre e estoque cheio; onde rareia, giro curto e turno concentrado. É essa calibragem por praça, não a média nacional, que fecha a conta do semestre de cada pátio.